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CMV é o Custo da Mercadoria Vendida: o valor de custo das mercadorias que a loja efetivamente vendeu no período. No varejo, ele é calculado, em regra, como estoque inicial mais compras líquidas menos estoque final, segundo o Sebrae. Saber o que é CMV permite medir a margem bruta, que é a receita menos esse custo.
CMV: o que é e como se calcula no varejo?
CMV é a sigla de Custo da Mercadoria Vendida. Ele mostra quanto custaram, para a loja, os produtos que saíram da gôndola e viraram venda no período.
No comércio varejista, a fórmula usada em regra é a apresentada pelo Sebrae Paraná (9 nov. 2021):
CMV = Estoque inicial + Compras líquidas − Estoque final
- Estoque inicial: valor de custo das mercadorias disponíveis no primeiro dia do período. Deve ser igual ao estoque final do período anterior.
- Compras líquidas: compras de mercadorias para revenda, descontadas devoluções e abatimentos. Segundo o Itaú, fretes de entrada e tributos não recuperáveis podem compor o valor das compras.
- Estoque final: valor de custo do que sobrou ao fim do período, apurado por inventário físico ou pelo sistema de controle de estoque.
A norma contábil CPC 16 (R1) — Estoques, disponibilizada pela CVM, determina que os estoques sejam mensurados pelo custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. A mesma norma inclui no custo os gastos necessários para trazer os produtos à sua condição e localização atuais.
Em lojas com muitos itens, como as de departamento, existe ainda o método do preço de venda a varejo. Nele, o estoque é apurado a preço de venda e convertido a custo por um índice custo/varejo. O Manual de Contabilidade Societária (FIPECAFI) alerta que, se as classes de mercadorias tiverem margens muito diferentes, o cálculo deve ser feito separadamente para cada classe. Numa perfumaria, isso costuma valer para categorias como perfume, cabelo e maquiagem.
Como o CMV afeta a margem bruta da loja?
O CMV é o primeiro custo que sai da receita. O que sobra é o lucro bruto:
Lucro bruto = Receita de vendas − CMV
Margem bruta = Lucro bruto ÷ Receita de vendas × 100
Exemplo hipotético (o mesmo usado pelo Itaú), para um mês:
| Item | Valor |
|---|---|
| Estoque inicial | R$ 40.000 |
| Compras líquidas | R$ 30.000 |
| Estoque final | R$ 16.000 |
| CMV | R$ 54.000 |
Com receita de R$ 90.000, o lucro bruto é de R$ 36.000 e a margem bruta é de 40%. O CMV equivale a 60% da receita. Esse percentual é o indicador CMV sobre vendas, útil para comparar meses e categorias.
Com a receita constante, CMV maior significa margem menor. Outro exemplo hipotético, com vendas de R$ 100.000:
| CMV | Lucro bruto | Margem bruta |
|---|---|---|
| R$ 60.000 | R$ 40.000 | 40% |
| R$ 70.000 | R$ 30.000 | 30% |
| R$ 80.000 | R$ 20.000 | 20% |
No nível do produto, a lógica é a mesma. Num exemplo hipotético, um item vendido por R$ 100 com custo de R$ 60 tem margem bruta de 40%. Se o custo sobe para R$ 70 e o preço não muda, a margem cai para 30%. A margem também cai quando o preço de venda é reduzido sem que o custo caia.
A margem bruta ainda não é lucro. Dela saem as despesas operacionais, os impostos sobre a receita, as despesas financeiras e outros gastos.
Quais são as confusões mais comuns com o CMV?
- CMV não é o total pago a fornecedores. Uma compra do mês pode continuar no estoque final. Nesse caso, ela não entra no CMV daquele período.
- CMV não inclui despesas operacionais. Aluguel, salários administrativos, publicidade e taxas bancárias afetam o lucro operacional, não o custo da mercadoria vendida.
- Compras brutas não são compras líquidas. Devoluções, abatimentos e custos apropriáveis precisam ser tratados antes do cálculo.
- O estoque final mal contado distorce o resultado. Subavaliar o estoque final eleva o CMV. Superavaliá-lo reduz o CMV e infla o lucro bruto.
- Produto parado, vencido ou danificado pode valer menos que o custo. Pelo CPC 16 (R1), quando o valor realizável líquido fica abaixo do custo, o valor do estoque pode precisar ser reduzido.
Aplique na sua loja esta semana
1. Confirme que o estoque inicial do mês é igual ao estoque final do mês anterior. 2. Separe, nas compras do mês, devoluções, abatimentos e fretes de entrada. 3. Faça ou programe a contagem do estoque final a preço de custo. 4. Calcule o CMV sobre vendas e compare com o mês anterior, por categoria, se possível. 5. Leve os números ao seu contador para conferir os critérios de avaliação do estoque.
Perguntas frequentes
Qual é a fórmula do CMV no comércio?
Em regra, CMV = estoque inicial + compras líquidas − estoque final, fórmula apresentada pelo Sebrae Paraná. As compras líquidas descontam devoluções e abatimentos e podem incluir fretes de entrada e tributos não recuperáveis.
Por que o estoque final diminui o CMV?
Porque ele representa mercadoria comprada que ainda não foi vendida. Só o que saiu como venda entra no custo do período. Por isso a contagem do estoque final precisa ser correta.
A loja precisa manter controle de estoque item a item?
Segundo o Manual de Contabilidade Societária (FIPECAFI), o registro permanente de estoques, item por item, é exigido pela legislação do Imposto de Renda para empresas comerciais, conforme o Parecer Normativo CST nº 6, de 26/01/1979. Sem ele, os estoques são apurados no fim do exercício por contagem física. Conteúdo informativo, não substitui contador ou advogado.
CMV sobre vendas é a mesma coisa que margem bruta?
Não. O CMV sobre vendas mostra quanto da receita foi consumido pelo custo das mercadorias. A margem bruta mostra o que sobrou. No exemplo hipotético desta página, o CMV foi 60% da receita e a margem bruta, 40%.



