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Para quem é Dono ou sócio de perfumaria ou loja de cosméticos e gerente que monta o orçamento mensal da loja. Conteúdo informativo, não substitui contador ou advogado.
O que é a regra 30 30 30 10? É uma heurística que divide o faturamento em 30% para mercadorias, 30% para despesas operacionais, 30% para marketing ou crescimento e 10% para lucro ou reserva. Não é norma oficial. Na loja, adapte: parta da receita líquida, separe impostos, calcule o CMV real e reserve capital de giro.
Passo a passo
Orce sobre a receita líquida
Não aplique os percentuais sobre o faturamento bruto. Comece pela receita líquida:
Receita líquida = vendas brutas − cancelamentos − devoluções − impostos sobre vendas
É dela que saem mercadorias, despesas e resultado.
Separe os impostos imediatamente
Reserve o valor dos tributos assim que a venda entra, conforme o regime da loja (Simples Nacional ou outro) e a orientação do seu contador. Esse dinheiro não é da loja para gastar. Conteúdo informativo, não substitui contador ou advogado.
Calcule o CMV real por produto e categoria
CMV é o custo das mercadorias vendidas. O Sebrae orienta que, no comércio, ele corresponda ao custo das mercadorias efetivamente vendidas, calculado com base na quantidade vendida e no custo de aquisição.
CMV % = (estoque inicial + compras − estoque final) ÷ vendas líquidas × 100
Faça a conta por categoria e, se possível, por SKU (código de cada item).
Encontre a margem de contribuição
Margem de contribuição é o valor que resta das vendas, depois dos custos e despesas variáveis, para pagar as despesas operacionais e gerar lucro, segundo o Sebrae.
Margem de contribuição % = (vendas líquidas − custos variáveis) ÷ vendas líquidas × 100
Entram nos variáveis: frete de compra, embalagens, taxas de cartão e comissões.
Defina um teto para as despesas fixas
Some aluguel, folha, pró-labore, energia, internet, sistemas, contabilidade e seguros.
Despesa fixa % = despesas fixas mensais ÷ vendas líquidas × 100
Use como base o pior cenário de vendas, não apenas a média.
Reserve caixa para estoque e sazonalidade antes do lucro
Crescer em vendas pode exigir mais estoque antes de receber, sobretudo com vendas parceladas. Separe capital de giro e compras sazonais antes de distribuir qualquer lucro.
Trate os 10% como meta, não como dinheiro livre
A fatia de 10% da regra é uma meta de resultado ou reinvestimento. O resultado é possível, mas depende da execução e do caixa real do mês.
Revise todo mês
Compare o orçado com o realizado: margem, estoque, perdas, prazo médio de recebimento e saldo de caixa. Ajuste os percentuais com os dados dos últimos 6 a 12 meses.
O que é a regra 30 30 30 10?
É uma heurística de alocação do faturamento. A leitura mais comum é:
- 30% para custos variáveis ou mercadorias;
- 30% para despesas operacionais e administrativas;
- 30% para marketing, vendas, crescimento ou remuneração do proprietário;
- 10% para lucro, reserva ou investimentos.
Nas fontes consultadas, ela não aparece como norma oficial de contabilidade, tributação ou varejo. O Sebrae segue outra lógica: parte da receita de vendas, subtrai os custos variáveis para chegar à margem de contribuição, subtrai as despesas fixas, considera os investimentos e separa entradas e saídas não operacionais.
Um material do Sebrae usa como exemplo didático custos variáveis de 30% do faturamento e margem de contribuição de 70%. Isso não significa que toda loja deva operar com esses percentuais.
Por que lucro e caixa não são a mesma coisa?
O Sebrae resume o resultado empresarial como receitas menos custos, despesas e impostos. Já o fluxo de caixa mede as entradas e saídas efetivas.
Uma loja pode ter lucro no papel e ficar sem caixa quando vende a prazo. Por isso, a versão mais segura da regra para o pequeno varejo é:
Vendas líquidas − CMV − custos variáveis − impostos − despesas fixas − investimentos = resultado disponível
O que isso muda na sua loja: impostos e capital de giro aparecem em linhas próprias, e não escondidos dentro do lucro.
Como fica um orçamento de loja na prática?
Exemplo hipotético, não uma recomendação universal, com receita mensal bruta de R$ 50.000:
| Destinação | Percentual | Valor |
|---|---|---|
| Mercadorias e custos variáveis | 35% | R$ 17.500 |
| Impostos, taxas e perdas | 10% | R$ 5.000 |
| Despesas fixas | 20% | R$ 10.000 |
| Marketing e vendas | 10% | R$ 5.000 |
| Reserva, reinvestimento e lucro | 15% | R$ 7.500 |
| Total | 90% | R$ 45.000 |
Os 10% restantes não devem virar lucro automaticamente. Podem ser necessários para capital de giro, compras antecipadas, sazonalidade ou dívidas. Uma forma de fechar os 100% é: 35% para CMV e custos variáveis, 10% para impostos, taxas e perdas, 20% para despesas fixas, 10% para marketing e vendas, 15% para compras sazonais e capital de giro e 10% para lucro ou reinvestimento.
Como ponto de partida, também em caráter de proposta de planejamento (não são percentuais do Sebrae, da ABIHPEC ou de órgão regulador): mercadorias e custos variáveis entre 30% e 45%; impostos e perdas comerciais entre 5% e 15%; despesas fixas entre 15% e 25%; marketing e aquisição de clientes entre 5% e 10%; reserva, reinvestimento e lucro entre 5% e 15%. Valide tudo com os números reais da sua loja.
O que muda numa perfumaria ou loja de cosméticos?
Quatro pontos pedem atenção:
- CMV por categoria: cabelos, skincare, maquiagem, perfumaria e acessórios podem ter margens e giros diferentes. Calcule por SKU.
- Estoque parado e validade: vencidos, danificados ou obsoletos são perdas e reduzem a margem real mesmo quando o faturamento cresce.
- Promoções e descontos: registre preço bruto, desconto e margem efetiva de cada venda.
- Capital de giro: vender mais pode exigir mais estoque antes do recebimento.
Segundo dados da Euromonitor divulgados pelo Valor, o setor brasileiro de beleza e cuidados pessoais vendeu R$ 173,1 bilhões em 2024, contra R$ 156,9 bilhões em 2023, alta de 10,3%. Cuidados com os cabelos somaram R$ 32,3 bilhões no varejo em 2024, alta de 14,1%. Esses números mostram o tamanho do mercado, mas não definem a margem nem a estrutura de custos de uma loja individual.
Erros comuns
- Aplicar os percentuais sobre o faturamento bruto em vez da receita líquida.
- Tratar a regra 30-30-30-10 como norma oficial de contabilidade ou de varejo.
- Contar como lucro o dinheiro que ainda vai pagar tributos ou financiar estoque.
- Usar uma margem média da loja e ignorar a diferença entre categorias e SKUs.
- Esquecer perdas com produtos vencidos, danificados ou obsoletos.
- Registrar só o valor final da venda, sem o preço bruto e o desconto da promoção.
- Confundir faturamento, margem de contribuição, lucro e caixa.
Perguntas frequentes
A regra 30-30-30-10 é uma norma oficial?
Não. Nas fontes consultadas, ela não aparece como norma oficial de contabilidade, tributação ou varejo. Use como estrutura inicial de conversa e planejamento.
Devo aplicar os percentuais sobre o faturamento bruto?
Não. O mais seguro é orçar sobre a receita líquida, depois de cancelamentos, devoluções e impostos sobre vendas.
Os 10% da regra são lucro livre para retirar?
Não. Trate essa fatia como meta de resultado ou reinvestimento. Antes de distribuir lucro, reserve caixa para estoque, sazonalidade e tributos.
Quantos meses de dados uso para definir meus percentuais?
Use os últimos 6 a 12 meses para calcular CMV, margem de contribuição e peso das despesas fixas sobre as vendas líquidas.
Qual a diferença entre margem de contribuição e lucro?
Segundo o Sebrae, margem de contribuição é o que sobra das vendas depois dos custos e despesas variáveis. Dela ainda saem as despesas fixas; o que resta é o resultado operacional.
Fontes
- Sebrae: Guia de planejamento financeiro · organizacion
- Sebrae: Como fazer a gestão financeira do pequeno negócio · organizacion
- Sebrae: material sobre fluxo de caixa e margem de contribuição · organizacion
- Sebrae: Tudo sobre gestão de custos para pequenas empresas · organizacion
- Sebrae: material sobre custo das mercadorias vendidas · organizacion
- Sebrae RN: Gestão financeira para pequenos negócios · organizacion
- Valor: Mercado de beleza bate recorde de exportações e atrai novas marcas · prensa



