Pular para o conteúdo
Uma iniciativaSalon Line
Portal da PerfumariaUma iniciativa Salon Line
Conteúdo em revisão: pode mudar antes da versão final.
Guia prático

Como aplicar a regra 30 30 30 10 nas finanças da loja

6 min de leitura · Finanças e preço · Atualizado em 27/10/2026

Flat illustration of a round pie chart split into three large equal slices and one small slice, each slice shown as a mini scene: stock boxe
Imagem gerada por IA
Nesta página

    Para quem é Dono ou sócio de perfumaria ou loja de cosméticos e gerente que monta o orçamento mensal da loja. Conteúdo informativo, não substitui contador ou advogado.

    Em resumo

    O que é a regra 30 30 30 10? É uma heurística que divide o faturamento em 30% para mercadorias, 30% para despesas operacionais, 30% para marketing ou crescimento e 10% para lucro ou reserva. Não é norma oficial. Na loja, adapte: parta da receita líquida, separe impostos, calcule o CMV real e reserve capital de giro.

    Passo a passo

    1. Orce sobre a receita líquida

      Não aplique os percentuais sobre o faturamento bruto. Comece pela receita líquida:

      Receita líquida = vendas brutas − cancelamentos − devoluções − impostos sobre vendas

      É dela que saem mercadorias, despesas e resultado.

    2. Separe os impostos imediatamente

      Reserve o valor dos tributos assim que a venda entra, conforme o regime da loja (Simples Nacional ou outro) e a orientação do seu contador. Esse dinheiro não é da loja para gastar. Conteúdo informativo, não substitui contador ou advogado.

    3. Calcule o CMV real por produto e categoria

      CMV é o custo das mercadorias vendidas. O Sebrae orienta que, no comércio, ele corresponda ao custo das mercadorias efetivamente vendidas, calculado com base na quantidade vendida e no custo de aquisição.

      CMV % = (estoque inicial + compras − estoque final) ÷ vendas líquidas × 100

      Faça a conta por categoria e, se possível, por SKU (código de cada item).

    4. Encontre a margem de contribuição

      Margem de contribuição é o valor que resta das vendas, depois dos custos e despesas variáveis, para pagar as despesas operacionais e gerar lucro, segundo o Sebrae.

      Margem de contribuição % = (vendas líquidas − custos variáveis) ÷ vendas líquidas × 100

      Entram nos variáveis: frete de compra, embalagens, taxas de cartão e comissões.

    5. Defina um teto para as despesas fixas

      Some aluguel, folha, pró-labore, energia, internet, sistemas, contabilidade e seguros.

      Despesa fixa % = despesas fixas mensais ÷ vendas líquidas × 100

      Use como base o pior cenário de vendas, não apenas a média.

    6. Reserve caixa para estoque e sazonalidade antes do lucro

      Crescer em vendas pode exigir mais estoque antes de receber, sobretudo com vendas parceladas. Separe capital de giro e compras sazonais antes de distribuir qualquer lucro.

    7. Trate os 10% como meta, não como dinheiro livre

      A fatia de 10% da regra é uma meta de resultado ou reinvestimento. O resultado é possível, mas depende da execução e do caixa real do mês.

    8. Revise todo mês

      Compare o orçado com o realizado: margem, estoque, perdas, prazo médio de recebimento e saldo de caixa. Ajuste os percentuais com os dados dos últimos 6 a 12 meses.

    O que é a regra 30 30 30 10?

    É uma heurística de alocação do faturamento. A leitura mais comum é:

    • 30% para custos variáveis ou mercadorias;
    • 30% para despesas operacionais e administrativas;
    • 30% para marketing, vendas, crescimento ou remuneração do proprietário;
    • 10% para lucro, reserva ou investimentos.

    Nas fontes consultadas, ela não aparece como norma oficial de contabilidade, tributação ou varejo. O Sebrae segue outra lógica: parte da receita de vendas, subtrai os custos variáveis para chegar à margem de contribuição, subtrai as despesas fixas, considera os investimentos e separa entradas e saídas não operacionais.

    Um material do Sebrae usa como exemplo didático custos variáveis de 30% do faturamento e margem de contribuição de 70%. Isso não significa que toda loja deva operar com esses percentuais.

    Por que lucro e caixa não são a mesma coisa?

    O Sebrae resume o resultado empresarial como receitas menos custos, despesas e impostos. Já o fluxo de caixa mede as entradas e saídas efetivas.

    Uma loja pode ter lucro no papel e ficar sem caixa quando vende a prazo. Por isso, a versão mais segura da regra para o pequeno varejo é:

    Vendas líquidas − CMV − custos variáveis − impostos − despesas fixas − investimentos = resultado disponível

    O que isso muda na sua loja: impostos e capital de giro aparecem em linhas próprias, e não escondidos dentro do lucro.

    Como fica um orçamento de loja na prática?

    Exemplo hipotético, não uma recomendação universal, com receita mensal bruta de R$ 50.000:

    DestinaçãoPercentualValor
    Mercadorias e custos variáveis35%R$ 17.500
    Impostos, taxas e perdas10%R$ 5.000
    Despesas fixas20%R$ 10.000
    Marketing e vendas10%R$ 5.000
    Reserva, reinvestimento e lucro15%R$ 7.500
    Total90%R$ 45.000

    Os 10% restantes não devem virar lucro automaticamente. Podem ser necessários para capital de giro, compras antecipadas, sazonalidade ou dívidas. Uma forma de fechar os 100% é: 35% para CMV e custos variáveis, 10% para impostos, taxas e perdas, 20% para despesas fixas, 10% para marketing e vendas, 15% para compras sazonais e capital de giro e 10% para lucro ou reinvestimento.

    Como ponto de partida, também em caráter de proposta de planejamento (não são percentuais do Sebrae, da ABIHPEC ou de órgão regulador): mercadorias e custos variáveis entre 30% e 45%; impostos e perdas comerciais entre 5% e 15%; despesas fixas entre 15% e 25%; marketing e aquisição de clientes entre 5% e 10%; reserva, reinvestimento e lucro entre 5% e 15%. Valide tudo com os números reais da sua loja.

    O que muda numa perfumaria ou loja de cosméticos?

    Quatro pontos pedem atenção:

    • CMV por categoria: cabelos, skincare, maquiagem, perfumaria e acessórios podem ter margens e giros diferentes. Calcule por SKU.
    • Estoque parado e validade: vencidos, danificados ou obsoletos são perdas e reduzem a margem real mesmo quando o faturamento cresce.
    • Promoções e descontos: registre preço bruto, desconto e margem efetiva de cada venda.
    • Capital de giro: vender mais pode exigir mais estoque antes do recebimento.

    Segundo dados da Euromonitor divulgados pelo Valor, o setor brasileiro de beleza e cuidados pessoais vendeu R$ 173,1 bilhões em 2024, contra R$ 156,9 bilhões em 2023, alta de 10,3%. Cuidados com os cabelos somaram R$ 32,3 bilhões no varejo em 2024, alta de 14,1%. Esses números mostram o tamanho do mercado, mas não definem a margem nem a estrutura de custos de uma loja individual.

    Erros comuns

    • Aplicar os percentuais sobre o faturamento bruto em vez da receita líquida.
    • Tratar a regra 30-30-30-10 como norma oficial de contabilidade ou de varejo.
    • Contar como lucro o dinheiro que ainda vai pagar tributos ou financiar estoque.
    • Usar uma margem média da loja e ignorar a diferença entre categorias e SKUs.
    • Esquecer perdas com produtos vencidos, danificados ou obsoletos.
    • Registrar só o valor final da venda, sem o preço bruto e o desconto da promoção.
    • Confundir faturamento, margem de contribuição, lucro e caixa.

    Perguntas frequentes

    A regra 30-30-30-10 é uma norma oficial?

    Não. Nas fontes consultadas, ela não aparece como norma oficial de contabilidade, tributação ou varejo. Use como estrutura inicial de conversa e planejamento.

    Devo aplicar os percentuais sobre o faturamento bruto?

    Não. O mais seguro é orçar sobre a receita líquida, depois de cancelamentos, devoluções e impostos sobre vendas.

    Os 10% da regra são lucro livre para retirar?

    Não. Trate essa fatia como meta de resultado ou reinvestimento. Antes de distribuir lucro, reserve caixa para estoque, sazonalidade e tributos.

    Quantos meses de dados uso para definir meus percentuais?

    Use os últimos 6 a 12 meses para calcular CMV, margem de contribuição e peso das despesas fixas sobre as vendas líquidas.

    Qual a diferença entre margem de contribuição e lucro?

    Segundo o Sebrae, margem de contribuição é o que sobra das vendas depois dos custos e despesas variáveis. Dela ainda saem as despesas fixas; o que resta é o resultado operacional.

    Fontes

    1. Sebrae: Guia de planejamento financeiro · organizacion
    2. Sebrae: Como fazer a gestão financeira do pequeno negócio · organizacion
    3. Sebrae: material sobre fluxo de caixa e margem de contribuição · organizacion
    4. Sebrae: Tudo sobre gestão de custos para pequenas empresas · organizacion
    5. Sebrae: material sobre custo das mercadorias vendidas · organizacion
    6. Sebrae RN: Gestão financeira para pequenos negócios · organizacion
    7. Valor: Mercado de beleza bate recorde de exportações e atrai novas marcas · prensa

    Continue aprendendo

    Caso

    Estratégia da Douglas na perfumaria: crescer a rede e fechar lojas que não dão resultado

    Como a Douglas fecha lojas deficitárias enquanto expande a rede, quais indicadores usa e o que uma perfumaria independente pode aplicar na própria loja.

    Finanças e preço
    Trilha

    Calendário do varejo: como planejar as datas e a Black Friday na perfumaria

    Trilha prática para montar o calendário do varejo da sua perfumaria: Dia das Mães, Namorados, Black Friday e Natal, com estoque, equipe e pós-data.

    Promoções, datas e retail media
    Guia prático

    Como escolher o modelo de loja de cosméticos pequena certo para sua cidade

    Perfumaria de bairro, loja de cosméticos, preço único ou especializada em cabelos: compare prós, contras e público e escolha o formato certo para sua cidade.

    O negócio da perfumaria