Nesta página
Perdas e furtos no varejo são tudo o que reduz o lucro sem virar venda: furtos de clientes e de funcionários, quebras, erros de estoque e falhas de fornecedores. Segundo a Pesquisa Abrappe 2024, as perfumarias têm índice médio de perda de 2,33%, acima da média dos outros segmentos, por causa do alto valor agregado dos produtos.
O que são perdas e furtos no varejo?
Para o Sebrae, perda no varejo é "toda e qualquer interferência negativa no resultado da empresa, gerando como consequência final a redução do lucro". O furto é só uma parte disso.
A Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro 2024 separa as perdas em dois grupos:
- Quebras operacionais (perdas identificadas): produtos que ficaram sem condições de venda, por vencimento ou avaria, por exemplo. A loja sabe o que perdeu.
- Perdas não identificadas: a diferença entre o que o sistema diz que existe e o que o inventário físico encontra. Furtos e fraudes costumam aparecer aqui.
O Sebrae agrupa as perdas também por área: comerciais, administrativas, de produtividade, financeiras e de operações. O que isso muda na sua loja: o furto chama atenção, mas erro de estoque, avaria e falha no recebimento também saem do seu lucro.
Quanto as perfumarias perdem com perdas e furtos no varejo?
Segundo a Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro 2024, publicada em outubro de 2024 com dados de 2023, as perfumarias têm índice de perda médio de 2,33%. O valor fica acima da média dos outros segmentos varejistas. A pesquisa atribui isso ao "alto valor agregado de um grande número dos produtos comercializados".
Para comparar, a 20ª Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro de Supermercados, da Abras, apontou perdas de R$ 6,9 bilhões no setor supermercadista. O índice sobre o faturamento bruto passou de 1,89%, em 2018, para 1,82% no ano seguinte.
Dois cuidados ao ler esses números:
- A pesquisa da Abrappe reúne empresas varejistas parceiras da associação. A KPMG, que apoiou o estudo, informa que não verificou as informações dos respondentes.
- São médias de mercado. O índice da sua loja só aparece com inventário bem feito.
Quais são as principais causas de perdas?
A Pesquisa Abrappe 2024 indica que cerca de 84% das perdas estão ligadas a três fontes: quebras operacionais, furtos externos e internos e erros de inventário. Por isso, a pesquisa recomenda que as empresas estabeleçam, divulguem e, principalmente, sigam políticas e procedimentos que coíbam ações ilegais de colaboradores.
O furto interno pesa mais do que muitos lojistas imaginam. Em um relatório de 2015 da Abras, citado pelo BNDES, as perdas dos supermercados se dividiam assim:
- furto interno (funcionários): 37%
- furto externo (clientes): 28%
- erros administrativos: 21%
- fraudes de fornecedores: 11%
- outros: 4%
Segundo estimativas da Abras citadas pelo BNDES, os furtos de funcionários somados às fraudes de fornecedores e transportadores são 70% maiores do que os furtos por clientes.
O Sebrae, com base em estudos da Abras, GPP, Provar-FIA e Nielsen, informa que furtos externos e internos e quebras operacionais se aproximam de 66% do total das perdas no varejo brasileiro.
Como prevenir perdas já no projeto da loja?
O material do Sebrae aponta quatro decisões de projeto que reduzem perdas:
1. Localização: antes de alugar o ponto, pesquise a incidência de furtos e roubos na vizinhança. Observe a iluminação pública e a proximidade de delegacias e postos policiais. 2. Layout: o desenho da loja deve permitir ampla visão de todas as áreas. Pontos cegos são ruins para a venda e favorecem furtos e rupturas. 3. Móveis e expositores: evite elementos muito altos, que bloqueiam a visão. Produto exposto ou armazenado de forma inadequada também gera perda por quebra. 4. Dispositivos de segurança: os mais usados são câmeras de monitoramento (CFTV, circuito fechado de TV) e etiquetas com antenas de alarme. As opções vão de um simples espelho a sistemas que cruzam imagens com as operações de caixa. A escolha depende do formato da loja e das categorias vendidas, pesando o investimento contra a exposição ao risco.
A Abrappe registra que calçados e artigos esportivos reduziram suas perdas em relação ao ano anterior. A pesquisa associa esse resultado, entre outros fatores, a maior controle na exposição, com formatos de atendimento assistido e personalizado.
Como evitar perdas na operação do dia a dia e com tecnologia?
Na operação, o Sebrae destaca três momentos de risco:
- Recebimento: a nota fiscal pode não bater com o que chegou, e entregadores circulam na área de estoque. A recomendação é conferir a mercadoria em local separado do armazenamento, com a presença de pessoal da loja treinado para isso.
- Armazenagem: o estoque deve ser organizado, limpo e bem iluminado. Estoque desorganizado favorece furtos e "falsas" rupturas: o produto existe, mas não é encontrado na hora da venda e pode até vencer.
- Trocas e devoluções: são rotina no comércio, mas também são fonte de perdas e precisam de controle.
Sobre tecnologia, a Pesquisa Abrappe 2024 informa que todas as empresas participantes usam CFTV. O uso de ferramentas de BI (painéis que reúnem e cruzam dados de venda e estoque) cresceu 17%, 31% usam vídeo analítico e 6% citaram inteligência artificial. Nos supermercados, segundo a Abras, os recursos mais usados são alarmes de acesso (87,7%), coletor de dados para inventário (87,2%), CFTV (86,8%), coletores no recebimento (78,2%) e radiocomunicadores (74,6%).
O BNDES descreve o uso de etiquetas RFID (identificação por radiofrequência) para cobrir entradas, saídas e áreas de recebimento. No Brasil, a adoção ainda está nos primeiros passos e começou por vestuário e calçados. Quando a loja usa monitoramento, o BNDES sugere exibir avisos nas áreas em que a tecnologia está em uso e manter uma política clara com os consumidores.
O que aplicar na sua loja esta semana?
O Sebrae propõe cinco passos para um programa de prevenção de perdas: priorizar o tema, mapear processos e riscos, implantar dispositivos de prevenção, treinar a equipe e definir metas com campanha de incentivo. Comece assim:
1. Ande pela loja e marque os pontos que não se enxergam do caixa. Veja se dá para baixar ou mover algum expositor. 2. Defina quem confere as entregas e onde. Nenhuma caixa entra no estoque sem conferência contra a nota fiscal. 3. Organize uma prateleira do estoque por dia, começando pelos itens de maior valor. 4. Faça uma contagem por amostragem dos produtos de maior valor e compare com o sistema. 5. Escreva em uma página as regras de recebimento, trocas e acesso ao estoque. Apresente essas regras à equipe e siga as mesmas regras para todos.
Linha do tempo
- 2005 a 2010 Segundo a Abras, citada pelo Sebrae, o índice médio de perdas nos supermercados foi de 2,33%, acima do lucro líquido médio de 2,12%.
- 2011 O varejo norte-americano acumulou perdas estimadas de US$34,5 bilhões, 1,41% do faturamento do setor, segundo o Sebrae.
- 2015 Relatório da Abras, citado pelo BNDES, distribui as perdas dos supermercados em furto interno (37%), furto externo (28%), erros administrativos (21%), fraudes de fornecedores (11%) e outros (4%).
- 2023 Período dos dados coletados pela Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro 2024.
- Outubro de 2024 A Abrappe publica a Pesquisa de Perdas no Varejo Brasileiro 2024, com apoio da KPMG. O índice médio de perda das perfumarias é de 2,33%.
Perguntas frequentes
Prevenir perdas vale tanto quanto vender mais?
Segundo o Sebrae, cada real economizado em perdas vira um real a mais no lucro, de forma direta. O material afirma que, na prática, é mais rápido, fácil e barato prevenir perdas do que aumentar as vendas.
O furto de funcionários é mesmo relevante?
Sim. Em relatório de 2015 da Abras, citado pelo BNDES, o furto interno respondia por 37% das perdas dos supermercados, contra 28% do furto externo. A Pesquisa Abrappe 2024 recomenda políticas e procedimentos claros, divulgados e seguidos para coibir ações ilegais de colaboradores.
Uma loja pequena precisa de tecnologia cara para reduzir perdas?
Não necessariamente. O Sebrae lembra que as opções vão de um simples espelho a sistemas integrados de segurança. O conjunto certo depende do formato da loja e das categorias vendidas, comparando o investimento com a exposição ao risco de perdas.
Por que ter alguém responsável pela prevenção de perdas?
Na pesquisa da Abras, 71% dos supermercados tinham área específica de prevenção de perdas, ante 66% na avaliação anterior. Quem não tinha citou razões financeiras. A Abrappe 2024 aponta que, nas farmácias, a estabilidade na liderança dessa área ajudou a melhorar os índices de perda.
Fontes
- Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro 2024 (Abrappe, com apoio da KPMG, outubro de 2024) · organizacion
- Prevenção de perdas no varejo (Sebrae) · organizacion
- 20ª Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro de Supermercados (Revista SuperHiper, Abras) · organizacion
- Tecnologias emergentes aplicáveis ao varejo (BNDES Setorial 42) · oficial



