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Cashback na loja é um programa que devolve ao cliente parte do valor gasto numa compra, em forma de crédito ligado à moeda corrente. Num formato comum no varejo, o crédito só pode ser usado na própria loja, dentro de um prazo definido nas regras do programa. O objetivo é fazer o cliente voltar.
De onde vem o termo cashback?
Na literatura acadêmica, o cashback também aparece como "programa de reembolso". Um estudo da Escola de Direito de São Paulo da FGV o define como um programa criado para devolver ao cliente parte do valor gasto em bens ou serviços. Esse valor é representado em moeda corrente ou ligado a ela. Nem sempre pode ser sacado em dinheiro, e só é usado quando o cliente autoriza.
O modelo não é novo. Segundo o mesmo estudo, no mercado americano já existiam empresas bem estabelecidas usando essa metodologia desde 1998. No Brasil, grandes empresas como Magazine Luiza, Nubank e Banco XP passaram a adotar o cashback.
O estudo da FGV cita uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC): 48% dos consumidores aproveitaram descontos de cashback desde o início da pandemia de Covid-19. Segundo o texto, a pandemia acelerou a adoção do cashback no Brasil, sobretudo no e-commerce.
A pesquisa acadêmica ainda olha pouco para a loja física. Uma revisão sistemática da literatura da UFOP analisou 18 artigos. Desses, 88,9% tratam de e-commerce, e só uma publicação trata do varejo in loco.
Como funciona o cashback na loja?
O estudo da FGV separa três modelos de cashback usados no Brasil:
- Cashback para compra futura: o cliente recebe um crédito para usar numa próxima compra na mesma empresa. Há uma relação direta entre o cliente e a empresa que paga o cashback. Segundo o estudo, é o modelo em que se costuma pensar quando se fala em cashback.
- Cashback em dinheiro na conta: o valor cai numa conta bancária, num fundo ou num meio equivalente.
- Cashback vinculado: é um modelo intermediário. O cliente não pode sacar o dinheiro, mas pode usá-lo de outras formas.
No varejo físico, a lógica mais citada é a do crédito para gastar só ali. Numa reportagem da revista SuperHiper, da ABRAS, o especialista em gestão do varejo Jorge Inafuco compara o cashback à promoção. Na promoção pura e simples, diz ele, o cliente pode fazer estoque do item com desconto e demorar a voltar. A margem também pode ficar menor ou até negativa. No cashback, o objetivo é o retorno do cliente, porque o crédito só vale na loja. Para Inafuco, as duas estratégias devem caminhar juntas, bem dosadas ao longo do tempo.
Na mesma reportagem, Christian Vincent, diretor comercial e de Marketing da Neurotech, afirma que, segundo estudos, entre 70% e 80% dos clientes voltam para comprar e resgatar os créditos. Ele também afirma que cerca de 20% a 30% das pessoas não resgatam o crédito dentro do prazo estipulado. Esses números são dele e não de uma pesquisa publicada na reportagem.
O uso está se espalhando. Segundo dados do Sebrae citados pela Central do Varejo, 6,4 milhões de estabelecimentos no país já adotam algum sistema de cashback.
As regras ficam a cargo de quem cria o programa. A Anac explica que cada programa de fidelidade tem regras próprias sobre:
- formas de acúmulo;
- prazo de validade;
- critérios de uso;
- benefícios.
Por isso, a loja precisa definir e comunicar essas regras com clareza.
Aplique na sua loja esta semana
1. Escreva em uma página as regras do seu programa: quanto o cliente acumula, em quanto tempo o saldo vence e onde ele pode usar o crédito. 2. Confira se a equipe de caixa e as consultoras de beleza sabem explicar essas regras em poucas frases. 3. Deixe as regras visíveis no PDV e nos canais em que você fala com o cliente.
Quais são as confusões comuns sobre cashback?
Cashback não é a mesma coisa que desconto na hora. No desconto, o benefício acaba na compra. No cashback para compra futura, o benefício só aparece se o cliente voltar. Por isso o cashback é tratado como ferramenta de fidelização, e não só de preço.
Cashback da loja não é o mesmo que cashback do fabricante. Na reportagem da ABRAS, Christian Vincent descreve programas combinados entre a indústria e empresas de tecnologia, sem participação direta do varejo. Neles, o cliente ganha desconto em produtos de um fabricante que podem ser comprados em qualquer loja. Para ele, esse formato não interessa ao varejista, porque não leva o cliente de volta à sua loja.
Cashback não é sinônimo de programa de afiliados. No e-commerce, sites de cupom e cashback atuam como afiliados que divulgam lojas em troca de comissão, segundo a Central do Varejo. É outro modelo, diferente do crédito que a própria loja oferece ao cliente.
Nem todo cliente entende o cashback. A revisão da UFOP cita a pesquisa de Christino et al. (2018). Nela, 35% dos participantes não sabiam o que era cashback ou como funcionava. A mesma revisão aponta outros riscos:
- problemas para obter ou resgatar o crédito;
- atendimento ruim;
- desconfiança sobre a transparência das regras.
Tudo isso reduz a confiança no programa.
Dados pessoais pedem cuidado. A revisão da UFOP lembra que, nesses programas, o cliente fornece dados pessoais e de pagamento, que precisam ser protegidos. Na reportagem da ABRAS, o professor Marcos Escudeiro critica sistemas que obrigam o cliente a abrir uma conta digital, enviando todos os seus dados, só para receber o crédito.
Perguntas frequentes
Cashback é um tipo de programa de fidelidade?
A Anac define programas de fidelidade como sistemas em que o consumidor acumula benefícios ao usar serviços ou comprar produtos. São os programas de pontos, recompensas ou vantagens, comuns também em lojas. O cashback segue essa lógica, com a diferença de que o benefício é um crédito ligado a dinheiro.
O saldo de cashback tem prazo de validade?
Depende das regras de cada programa. A Anac explica que cada programa de fidelidade define seus próprios prazos de validade. Na reportagem da ABRAS, Christian Vincent afirma que cerca de 20% a 30% das pessoas não resgatam o crédito dentro do prazo. Por isso, a validade precisa estar clara para o cliente desde a primeira compra.
Quem resolve uma reclamação sobre cashback?
Segundo a Anac, programas de fidelidade seguem as regras definidas pela própria empresa responsável. Quando o problema não se resolve direto com a empresa, o consumidor pode recorrer ao Consumidor.gov.br ou aos Procons. Para a loja, isso reforça a importância de regras claras e de um atendimento que resolva o problema na primeira conversa.
O cashback pode encarecer o preço para o cliente?
A revisão da UFOP cita os trabalhos de Ho, Ho e Tan (2017) e de Mu et al. (2021). Eles mostram que, sob algumas condições, um preço que parece mais baixo com o reembolso pode, na prática, ser mais alto. A comparação é com o preço uniforme que o comerciante cobraria de todos sem o reembolso.
Cashback tem efeito tributário?
A tributação do cashback é tema de estudo acadêmico. Um trabalho da Escola de Direito de São Paulo da FGV analisa o Imposto de Renda nos diferentes modelos de cashback e a Solução de Consulta Cosit nº 653, de 27 de dezembro de 2017. Conteúdo informativo, não substitui contador ou advogado.
Fontes
- O cashback e a tributação nas operações realizadas – Escola de Direito de São Paulo da FGV · academica
- O uso de políticas de cashback: uma Revisão Sistemática da Literatura – UFOP · academica
- Programas de Fidelidade – Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) · oficial
- Revista SuperHiper – ABRAS (Marketing | cashback) · organizacion
- Amazon atinge 200 polos logísticos no Brasil e amplia programas – Central do Varejo · prensa



