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Atacado vende em volume para quem revende. Varejo vende ao consumidor final, em quantidade fracionada. Exemplos: o distribuidor que entrega na sua loja e o atacado de balcão são atacado. A sua perfumaria, quando vende um perfume ao cliente, é varejo. Para o lojista, a pergunta prática é de qual canal comprar cada categoria.
O que é atacado e varejo, com exemplos?
O varejo é quem vende ao consumidor final. Um trabalho técnico do Centro Paula Souza resume as funções do varejo:
- comprar uma variedade de produtos de vários fornecedores;
- comprar em grandes quantidades e fracionar a oferta para o cliente;
- manter estoque disponível conforme a conveniência do cliente;
- oferecer condições de pagamento que facilitem a compra;
- informar os fabricantes sobre o mercado e a aceitação dos produtos.
O atacado fica entre o fabricante e o varejista. O mesmo trabalho lista alguns tipos de atacado, com exemplos:
- Atacado de autosserviço: ampla variedade, com lojas em que o cliente compra num sistema parecido com o de hipermercados.
- Atacado especializado: vende produtos específicos e atua numa faixa estreita do mercado.
- Atacado balcão: tem estoques altos e vende no balcão ou por telefone. Normalmente não faz entrega.
- Atacado de serviços completos: executa todas as funções do canal.
- Atacado distribuidor: tem equipe de vendas, faz entregas e tem contratos de exclusividade com algumas empresas.
O que isso muda na sua loja: na compra, você é cliente do atacado. Na venda, você é o varejo. Cada tipo de atacado oferece um serviço diferente, como entrega ou visita de vendedor, e isso entra na conta do custo.
De onde o pequeno varejo compra produtos de higiene e beleza?
Segundo o Sebrae (2014), com dados do Estudo Mercado de Vizinhança da GfK Brasil, os pequenos mercados de bairro compram higiene e beleza assim:
| Canal de compra | Participação |
|---|---|
| Distribuidor multifabricante | 29% |
| Distribuidor exclusivo | 25% |
| Atacado | 25% |
| Direto do fabricante | 12% |
| Central de compras | 3% |
| Hiper e supermercado | 2% |
O estudo trata do varejo alimentar de vizinhança, não de perfumarias. Mesmo assim, mostra um padrão útil: em higiene e beleza, o pequeno varejo depende mais de distribuidores e do atacado do que da compra direta com a indústria. O mesmo estudo diz que o hiper e o supermercado são usados só em caso extremo, para reposição imediata.
É melhor comprar no atacado ou direto da indústria?
Depende do volume e da logística da sua loja. O Sebrae (2014) afirma que, em tese, a compra direta com o fabricante traz melhores condições de preço. Mas nem sempre compensa, por causa do frete e do espaço para armazenar quantidades maiores. O órgão também alerta que a fidelidade a um distribuidor ou atacadista pode esconder uma oportunidade melhor de compra.
Um estudo da Universidade Presbiteriana Mackenzie observa que, quando o varejista cresce, ele passa a buscar preço direto da indústria e a pular o atacadista, visto como intermediário.
Para quem ainda não tem volume, uma alternativa é a central de negócios. Uma pesquisa com centrais de negócios supermercadistas no estado de São Paulo mostrou que 68,42% dos entrevistados obtiveram redução de preços entre 6% e 10% nas compras com a indústria via central. Depois da associação, a participação da indústria nas compras subiu de 20,79% para 55,58%, e a do atacado caiu de 55% para 25,32%. As centrais também negociavam bonificações em mercadorias e verbas para divulgação de ofertas. Uma central serve para somar volume de compra. Ela não serve para combinar preço de venda com outras lojas, o que a lei de concorrência proíbe.
Aplique na sua loja esta semana
1. Liste de quem você compra cada categoria: distribuidor, atacado ou indústria. 2. Para os itens que mais vendem, peça cotação a pelo menos um canal que você não usa hoje. 3. Compare o custo total, com frete, prazo, entrega e espaço de estoque, e não só o preço unitário. 4. Verifique se existe na sua região uma central de negócios ou associação de lojistas que reúna compras.
Perguntas frequentes
Atacarejo é atacado ou varejo?
Pode ser os dois. Segundo estudo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, quando atende revendedores, o atacarejo cumpre o papel de atacado. Quando vende direto ao consumidor final, vira varejo e passa a concorrer com os pequenos e médios comerciantes, que também são seus clientes.
Comprar no supermercado para repor estoque é uma boa opção?
Segundo o Sebrae (2014), o canal hiper e supermercado é o menos usado pelo pequeno varejo. Ele aparece só em caso extremo, quando a loja precisa repor um produto imediatamente. Usar esse canal com frequência é um sinal para rever o planejamento de compras.
Comprar sempre do mesmo distribuidor é um problema?
Não necessariamente. O Sebrae (2014) alerta, porém, que a fidelidade a um único distribuidor ou atacadista pode estar escondendo uma oportunidade melhor de compra. Comparar canais de tempos em tempos ajuda a confirmar se a escolha ainda faz sentido.
Fontes
- Sebrae – Estudo setorial minimercados (dados do Estudo Mercado de Vizinhança – GfK Brasil) · organizacion
- Redes de cooperação no varejo: um estudo teórico-empírico em centrais de negócios supermercadistas no estado de São Paulo · academica
- O crescimento do atacarejo no mercado brasileiro: evolução, desafios e inovações no modelo de negócio – Mackenzie · academica
- Centro Paula Souza – E-commerce de varejo: uma análise estratégica de moda íntima feminina (TCC, Técnico em Administração) · academica



