Nesta página
O que é ruptura de estoque? É quando o produto que o cliente procura não está na gôndola no momento da compra. Segundo a NeoGrid, o varejo brasileiro teve cerca de 10% de ruptura em 2016. O custo vai além da venda perdida: parte dos clientes troca de loja e pode não voltar.
O que é ruptura de estoque, na prática da loja?
Ruptura é a falta do produto no ponto de venda (PDV). Ela é medida como a porcentagem de produtos que o cliente não encontra na área de vendas no momento da compra.
A ruptura nem sempre significa que o produto acabou. Dados da NeoGrid (2016), citados em dissertação da Universidade Federal de Uberlândia, mostram duas formas comuns dentro da própria loja:
- Gôndola desabastecida: o produto está no estoque físico, mas a prateleira não foi reabastecida. Foram 26% dos casos.
- Estoque virtual: o sistema da loja ainda mostra o produto, mas ele não está mais disponível fisicamente. Foram 30% dos casos.
Para quem vende beleza, há um dado que merece atenção. Um levantamento de Ferraro e Fournier (2004) na Unilever, citado em tese da UFPR, encontrou ruptura de 12,76% em produtos de higiene e beleza (HPC, sigla em inglês para Home & Personal Care), contra 5,94% em alimentos.
Os números desta página vêm, em sua maioria, de estudos em supermercados. Não há no material um dado específico de perfumarias. Use-os como referência, não como medida da sua loja.
Quanto a ruptura de estoque custa à loja?
O primeiro custo é a venda que não acontece. Segundo a solução NeoGrid Supply Chain Benchmark Powered by Nielsen, que mede diariamente a disponibilidade na gôndola em mais de 10 mil lojas no Brasil, as vendas perdidas por falta de produto chegaram a 7% em janeiro de 2016, caíram para 4% em março e fecharam o segundo trimestre em 5% (UFU).
O segundo custo é o cliente. Uma pesquisa citada na tese da UFPR indica que 35,85% dos clientes procuram a concorrência quando não encontram o produto na gôndola. Dados da revista SuperHiper (2005), citados em dissertação da UFSC, mostram outras reações: 19% trocam pela mesma marca, 15% adiam a compra e 9% não compram o item. A mesma dissertação conclui que a ruptura pode gerar perda definitiva do cliente se o concorrente atender melhor.
Gruen e colegas (2002) também alertam que os clientes mudam de escolha cada vez mais rápido e podem nunca mais voltar ao produto original.
A promoção pede cuidado redobrado. Segundo Gruen (2007), nos EUA a ruptura sobe de 7,9% para 17,1% em produtos em promoção. Ou seja, a loja investe para atrair o cliente e pode não ter o produto para entregar.
Por que o produto falta na gôndola?
A maior parte das causas está dentro da loja. Gruen, Corsten e Bharadwaj (2002) analisaram 52 estudos e concluíram que a maioria das rupturas nasce da operação da loja, embora os esforços costumem se concentrar no fornecedor (SciELO).
Os dados da NeoGrid (2016) vão na mesma linha: 56% das faltas vieram de falha de execução na loja. Em 40% dos casos, o produto não estava no varejo porque o pedido não foi feito ao fornecedor ou porque houve falha na entrega.
Um levantamento citado na dissertação da UFU mostra que só 8,2% das rupturas se ligavam a dificuldades de negociação com o fabricante.
Aplique na sua loja esta semana
1. Escolha os itens de maior giro e confira, na gôndola, se cada um está exposto. 2. Compare o estoque do sistema com o estoque físico desses itens, para achar o estoque virtual. 3. Confira se o produto que falta na prateleira está guardado no depósito. 4. Antes de uma promoção, verifique se há quantidade suficiente para a demanda extra. 5. Repita a medição com regularidade e anote a causa de cada falta. A ACNielsen (2004) recomenda medir a ruptura regularmente e identificar as causas para corrigir.
Perguntas frequentes
Dar desconto quando falta o produto resolve a ruptura?
Nem sempre. Um teste de campo de Anderson e colegas (2006), citado em tese da UFPR, avaliou respostas à falta de estoque. Oferecer desconto para o cliente comprar em vez de cancelar foi a resposta menos rentável entre as avaliadas.
A ruptura é maior em produtos de beleza?
Num levantamento de Ferraro e Fournier (2004) na Unilever, a ruptura foi de 12,76% em higiene e beleza e de 5,94% em alimentos. É um dado de uma empresa e de um período. Por isso, meça a ruptura na sua própria loja.
O cliente fiel à loja reage diferente à ruptura?
Sim, segundo Kucuk (2004), citado em artigo da SciELO. Consumidores fiéis à loja tendem a substituir o produto. Já os fiéis à marca tendem a sair da loja à procura do item em falta.
Fontes
- Custo de oportunidade do IGI e lost sales – Mestrado Profissional em Gestão Organizacional, Universidade Federal de Uberlândia · academica
- Tese de Cassius Tadeu Scarpin – Acervo Digital UFPR · academica
- Identificação dos fatores que afetam a ruptura de estoque utilizando análise de agrupamentos – Revista Produção (SciELO) · academica
- Dissertação do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção – Universidade Federal de Santa Catarina · academica
Quando repor cada produto e quanto guardar de segurança contra atrasos e picos.



