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Dermocosmético é um termo de mercado para produtos de cuidado com a pele apresentados como mais técnicos que o cosmético comum. A Anvisa não reconhece essa categoria: ela classifica higiene pessoal, cosméticos e perfumes em Grau 1, de menor vigilância sanitária, e Grau 2, que exige comprovação de segurança e/ou eficácia e informa modo e restrições de uso.
O que é dermocosmético, afinal?
No mercado, dermocosmético costuma ser descrito como um produto entre o cosmético e o medicamento. Uma monografia de Administração da PUC-Rio usa essa definição e lembra que esses produtos também são chamados de cosmecêuticos.
O ponto central para o lojista é outro. Segundo um artigo do Centro Universitário Una Bom Despacho, termos como dermocosmético, cosmecêutico, dermomake e cosmético ativo são coloquiais. Eles não são reconhecidos formalmente pela Anvisa, nem pela FDA, nos Estados Unidos, nem pela EMA, na União Europeia.
O mesmo artigo aponta que algumas marcas usam a palavra como ferramenta de marketing, para agregar valor. Nem sempre o produto está cadastrado na Anvisa como Grau 2. Por isso, o nome na embalagem não basta para definir o que o produto é.
Qual a diferença entre Grau 1 e Grau 2 na Anvisa?
A classificação oficial existe e é ela que diferencia os produtos. A RDC nº 07 de 2015 dividiu higiene pessoal, cosméticos e perfumes em dois graus, segundo o artigo do Centro Universitário Una:
- Grau 1: produtos com propriedades básicas ou elementares. A comprovação não é inicialmente necessária e não exigem informações detalhadas sobre modo de uso e restrições. Exemplos citados: batons, perfumes, sabonetes e shampoos.
- Grau 2: produtos cujas características exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, com modo de uso e restrições informados. Exemplos citados: protetores solares, repelentes, tinturas para cabelos, spray de fixação e produtos para bebês.
Em 2024, a RDC 949/2024 atualizou a redação. Segundo o Informe Regulatório Nº 134/2024 da Casa da Cosmetologia, o Grau 1 passou a ser definido como o que requer inicialmente menor grau de vigilância sanitária e o Grau 2 como o que requer maior grau. O critério considera área de aplicação, público, formulação e finalidade declarada. A mesma fonte informa que não há impacto esperado para o setor com essa mudança de definição.
A diferença para o medicamento também é clara. O medicamento tem finalidade preventiva, curativa, paliativa ou de diagnóstico. O cosmético é de uso externo, para proteger ou embelezar. Mesmo no Grau 2, ele continua sendo cosmético.
Conteúdo informativo, com base nas normas citadas (RDC nº 07/2015 e RDC 949/2024). Não substitui orientação de profissional de assuntos regulatórios ou advogado.
O que isso muda na sua loja?
Para o cliente, a diferença que mais pesa costuma ser o preço. A monografia da PUC-Rio cita a CERTIFIC (2017): o cosmético convencional tem custo bem menor que o dermocosmético. A mesma fonte descreve a venda consultiva como prática usual no setor. Nela, vendedores treinados dão informação técnica e de uso ao consumidor.
O cliente também quer prova. Segundo pesquisa da BASF na Dermo Week de 2021, citada pelo artigo do Centro Universitário Una, 38% dos brasileiros entrevistados se interessam por produtos de beleza com comprovação clínica e 31% não acreditam nas propostas das marcas.
Na prática, a sua equipe vende melhor quando explica o produto pelo que ele é. Ninguém precisa prometer o que a categoria não permite.
Aplique na sua loja esta semana
1. Revise como a equipe apresenta os produtos chamados de dermocosméticos. Troque "trata" ou "cura" por modo de uso, finalidade e cuidados do rótulo. 2. Mostre à equipe a diferença entre Grau 1 e Grau 2 com exemplos da sua gôndola. 3. Oriente as consultoras de beleza a ler e explicar as restrições de uso que o rótulo informa. 4. Na sinalização e nas redes da loja, evite alegações terapêuticas. Use as alegações que constam na embalagem.
Perguntas frequentes
Dermocosmético é um medicamento?
Não. O termo não é uma categoria oficial da Anvisa. Os produtos vendidos com esse nome são cosméticos, classificados como Grau 1 ou Grau 2. O medicamento tem outra finalidade: prevenir, curar, aliviar ou diagnosticar.
Todo produto vendido como dermocosmético é Grau 2?
Não necessariamente. Segundo artigo do Centro Universitário Una Bom Despacho, há marcas que usam o termo como marketing sem que o produto esteja cadastrado na Anvisa como Grau 2.
Produto antiqueda pode prometer tratar calvície?
Não. Pela RDC 949/2024, segundo a Casa da Cosmetologia, preparações cosméticas antiqueda e para fortalecimento capilar não podem alegar prevenção ou tratamento de calvície, alopecia ou outras doenças.
Fontes
- Cosmecêuticos: apropriação dos termos e cenário nacional – Centro Universitário Una Bom Despacho · academica
- Monografia de Graduação em Administração de Empresas – PUC-Rio · academica
- Informe Regulatório Nº 134/2024: Anvisa publica RDC que atualiza a classificação de produtos cosméticos – Casa da Cosmetologia · empresa



