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Curva ABC de estoque no varejo de beleza: como funciona e o que ela revela sobre o mix

8 min de leitura · Compras e estoque · Atualizado em 27/10/2026

Isometric scene of a stockroom shelf divided into three zones: a tall stack of bottles and boxes, a medium stack, and a small scattered grou
Imagem gerada por IA
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    Em resumo

    A curva ABC de estoque classifica os produtos da perfumaria pela importância num critério, como faturamento, margem ou giro. Pela lógica de Pareto, poucos itens da classe A concentram cerca de 70% a 80% do valor, segundo a literatura. A classificação orienta o que nunca pode faltar, o que repor com menos frequência e o que revisar no mix.

    O que é a curva ABC de estoque e de onde vem a regra 80/20?

    A curva ABC é um método para separar os produtos do estoque por grau de importância. Ela parte do Princípio de Pareto, também chamado de regra 80/20. A ideia é que uma pequena parte dos itens responde pela maior parte do valor movimentado.

    Na formulação citada em trabalho do IFRS, com base em Slack (2009), tipicamente 80% das vendas de uma operação correspondem a 20% dos produtos estocados. O mesmo trabalho descreve a divisão mais comum:

    • Classe A: cerca de 20% dos produtos, com cerca de 70-80% do critério usado. Pedem atenção mais detalhada.
    • Classe B: cerca de 30% dos produtos, com 15-20% do critério. Têm importância intermediária.
    • Classe C: cerca de 50% dos produtos, com apenas 5-10% do critério. Têm impacto financeiro reduzido, mas podem ficar no estoque para garantir disponibilidade.

    Um trabalho do Centro Paula Souza sobre gestão de estoques em loja de cosméticos, citando Corrêa e Corrêa (2012), traz faixas próximas: classe A com 70% a 80% do valor total do estoque, classe B com 15% a 25% e classe C com 5% a 10%. O texto lembra que o cosmético tem fragilidade, validade curta e alta rotatividade. Por isso a classificação pesa tanto nesse varejo.

    O que isso muda na sua loja: você deixa de tratar todos os produtos da mesma forma. A atenção, o dinheiro e o espaço vão primeiro para o que mais movimenta o caixa.

    Como montar a curva ABC passo a passo?

    Segundo Bertaglia (2006), citado no trabalho do IFRS, a curva tem três pilares: coletar os dados, fazer os cálculos e decidir com base no resultado. O mesmo texto alerta que dados uniformes e limpos são cruciais. Dados ruins levam a conclusões erradas.

    No critério de valor movimentado, o valor de cada item é o preço ou custo unitário multiplicado pela demanda no período. Depois disso, Viana (2000) divide o cálculo em três partes:

    1. Ordenar o consumo em ordem decrescente de valor. 2. Obter o consumo acumulado. 3. Calcular a porcentagem acumulada sobre o total e definir a classe de cada produto.

    A Coletânea de Farmácia Hospitalar do CFF traz um exemplo com dez itens e valor total de R$ 64.221,10. O item líder teve consumo de 250 unidades a R$ 120,00, com valor total de R$ 30.000,00. Isso equivale a 46,7% do total.

    Nesse exemplo, os três primeiros itens somam 75,3% acumulado e formam a classe A. Os dois seguintes chegam a 89,3% e formam a classe B. Os outros cinco ficam na classe C.

    Repare num detalhe do exemplo. Um item com consumo de 312 unidades a R$ 1,65 fica na classe C, com 0,8% do valor. Muita saída em unidades não significa muito valor.

    O cálculo pode ser manual ou feito em software, segundo Dias (2010). O trabalho do IFRS usou o Power BI.

    Faturamento, margem ou giro: qual critério usar na curva ABC de estoque?

    O valor movimentado é o critério mais usado, mas não é o único. Segundo Viana (2000), citado pelo IFRS, a curva também pode usar movimentação de estoque ou número de pedidos atendidos. O critério deve seguir a política de estoque da empresa.

    • Faturamento: mostra quem mais gera receita. Quando os preços variam muito entre os produtos, essa visão pode distorcer a realidade. Por isso, a empresa estudada pelo IFRS criou uma segunda curva, chamada OPB (Ouro, Prata e Bronze), baseada na demanda. Ela usou as faixas de cerca de 70%, 20% e 10%.
    • Demanda ou giro: mostra quem mais sai. Em varejo de beleza, com itens de preços muito diferentes, essa segunda leitura ajuda a enxergar o comportamento real do estoque.
    • Margem: numa dissertação da USP sobre uma rede cooperativa de supermercados, a análise de categoria cruza vendas e margem. O sistema relaciona preço, margem, quantidade, valor da venda, lucro bruto e margem de contribuição, que é o lucro bruto dividido pelas vendas. Nesse caso, produtos abaixo da linha de 95% do acumulado na margem de contribuição são analisados e, se desnecessários ao mix, descontinuados.

    A mesma dissertação descreve classificações feitas com vendas e lucro bruto acumulado dos últimos 30, 60 ou 90 dias.

    O que isso muda na sua loja: rodar mais de uma curva evita decisões baseadas em uma visão só. Um item pode ser C em faturamento e A em giro. Ele também pode vender muito e deixar pouca margem.

    O que cada classe muda na compra, no estoque e na exposição?

    O trabalho do Centro Paula Souza resume a política por classe, com base em Corrêa e Corrêa (2012):

    • Classe A: controle mais rigoroso, revisões frequentes e estoque de segurança bem dimensionado. Também pede posição estratégica no layout para facilitar o acesso.
    • Classe B: atenção e reposição moderadas.
    • Classe C: reposições menos frequentes e estoques mais enxutos.

    O estoque de segurança é a reserva para cobrir imprevistos, como atraso de fornecedor ou pico de venda. O mesmo texto explica que ele é calculado com a demanda média, o desvio padrão e o nível de serviço desejado. Em cosméticos, a falta pode gerar perda imediata da venda, porque o consumidor pode buscar outra loja.

    Na rede estudada pela USP, os itens A não podem faltar no estoque nem na área de vendas. Os itens B podem faltar eventualmente. Os itens C podem ser substituídos ao longo de um período sem trauma no volume de negócios.

    A classificação dessa rede tinha 22.084 itens no total:

    • 4.416 itens A, ou 20,0% dos itens, com 84,2% das vendas;
    • 4.374 itens B, ou 19,8%, com 10,8%;
    • 13.294 itens C, ou 60,2%, com 5,0%.

    Os produtos que respondem por 80% das vendas tinham reposição semanal, que podia chegar a duas vezes por semana. Os demais podiam ser repostos uma vez por quinzena.

    Na exposição, as táticas descritas na mesma dissertação incluem três pontos:

    • adequar a área de vendas ao volume de vendas da categoria;
    • destacar na altura dos olhos os produtos de maior margem;
    • reduzir a exposição dos produtos de baixa margem.

    O trabalho do Centro Paula Souza também descreve uma franquia de perfumaria que mantém mais estoque dos itens A, quantidade intermediária dos B e estoque reduzido dos C. A franquia acompanha ainda os chamados never outs, produtos de altíssima demanda que precisam estar sempre disponíveis. Para itens de rotatividade muito baixa que não podem sair de linha, a própria franquia estipula uma compra mínima de 6 itens.

    Quais são os limites da curva ABC?

    A curva mostra peso financeiro ou de demanda. Ela não mostra tudo.

    • As faixas não são fixas. O Centro Paula Souza lembra que os percentuais variam conforme o setor e os objetivos. Eles devem ser revistos periodicamente para acompanhar o mercado e o mix.
    • Importância não é só valor. Segundo Slack (2009), citado pelo IFRS, a falta de certos produtos afeta as operações mesmo quando eles pesam pouco no faturamento. A Coletânea do CFF propõe uma classificação complementar, chamada XYZ, pelo impacto da falta e pela facilidade de substituir o item. Ela foi pensada para farmácia hospitalar, mas a lógica de cruzar valor com criticidade vale para qualquer estoque.
    • Promoções e datas distorcem a leitura. A dissertação da USP alerta que o calendário promocional não deve ser ignorado na análise das categorias. No varejo de cosméticos, a franquia estudada pelo Centro Paula Souza concentra vendas em datas como Dia das Mães, Dia dos Namorados e Natal.
    • Funciona melhor combinada. Previsão de demanda, indicadores e auditorias de estoque aumentam a precisão dos dados, segundo os autores citados pelo Centro Paula Souza.

    Como aplicar na sua loja esta semana?

    1. Escolha o período. Use as vendas dos últimos 30, 60 ou 90 dias, como na análise descrita pela USP. Confira se os dados estão completos e padronizados. 2. Calcule o valor por item. Multiplique a quantidade vendida pelo preço ou custo unitário. Ordene do maior para o menor. 3. Acumule e classifique. Calcule a porcentagem acumulada e defina A, B e C. Faixas próximas de 70-80%, 15-20% e 5-10% são um ponto de partida, não uma regra. 4. Rode uma segunda curva. Faça uma por unidades vendidas, que mostra o giro. Se tiver o dado, faça outra por margem de contribuição. Compare os itens que mudam de classe. 5. Revise a gôndola e a vitrine. Os itens A precisam de posição de fácil acesso e não podem faltar. Revise a exposição dos itens com baixa venda e baixa margem. 6. Ajuste a reposição. Revise com mais frequência o estoque dos itens A e mantenha os C mais enxutos. Na classe C, verifique a validade dos produtos. Os autores citados pelo Centro Paula Souza indicam ações direcionadas para itens perto do vencimento como forma de reduzir perdas.

    O resultado depende da execução e da revisão periódica da curva.

    Perguntas frequentes

    Os percentuais 80/20 da curva ABC são obrigatórios?

    Não. O trabalho do Centro Paula Souza afirma que as faixas variam conforme o setor e os objetivos da empresa e devem ser revistas periodicamente. A empresa estudada pelo IFRS, por exemplo, usou cerca de 70%, 20% e 10%.

    Posso criar mais de três classes?

    Sim. Segundo Ballou (2009), citado pelo IFRS, a empresa pode criar novas classes, como D e E, conforme a necessidade. A rede estudada pela USP criou um subgrupo AA, com 1.000 itens (4,5% dos itens e 56,0% das vendas) que não podiam faltar de forma alguma nas gôndolas.

    Produto da classe C deve sair do mix?

    Não necessariamente. Os itens C podem ser mantidos para garantir disponibilidade sem grandes custos, segundo o IFRS. Na rede estudada pela USP, eles eram importantes na composição do mix. Só os produtos abaixo da linha de 95% do acumulado na margem de contribuição eram analisados para possível descontinuação.

    Qual a diferença entre curva por faturamento e por demanda?

    A curva por faturamento mostra quem gera mais receita. A curva por demanda mostra quem sai mais. O trabalho do IFRS usou as duas, porque a grande variação de preços entre os produtos poderia distorcer uma análise feita só pela receita.

    Fontes

    1. Trabalho de conclusão sobre gestão de estoque com curva ABC e OPB — IFRS Campus Canoas · academica
    2. Estratégias na gestão de estoques em loja de cosméticos — Centro Paula Souza, Etec João Elias Margutti · academica
    3. Coletânea de Farmácia Hospitalar — Conselho Federal de Farmácia · organizacion
    4. Dissertação sobre gerenciamento de categorias em cooperativa de varejo — Teses USP · academica

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