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Vender perfume dá dinheiro? A demanda existe: o Brasil está entre os maiores consumidores de fragrâncias do mundo, e o hábito de usar perfume é forte, sobretudo no Norte e no Nordeste. Mas demanda não é lucro. O resultado possível depende da execução da loja: margem, giro, mix adequado ao público e controle de estoque.
Existe demanda para vender perfume no Brasil?
Sim, e os dados públicos mostram isso há anos. Segundo a ABIHPEC, citada em artigo acadêmico publicado na Redalyc, o mercado de fragrâncias no Brasil atingiu R$12,6 bilhões em 2012, crescimento de 15% sobre 2011. Em 2014, cresceu 13% e chegou a R$17,1 bilhões em comercializações.
O mesmo artigo informa que, desde 2010, o Brasil figurava como maior consumidor mundial de fragrâncias. Em 2015, foi superado pelos Estados Unidos e passou ao segundo lugar.
No varejo, o segmento de drogarias e perfumarias também cresce. Segundo o Ranking Top 300 do Instituto Retail Think Tank (IRTT), as 23 redes do segmento entre as 300 maiores varejistas somaram R$ 167,2 bilhões em vendas em 2024. Isso equivale a 13,4% do total das 300 maiores. Entre as empresas com vendas comparáveis, o crescimento foi de 15,4%.
Um cuidado: os dados de mercado de fragrâncias são de 2012 a 2016. Eles mostram um hábito de consumo consolidado, não o tamanho atual do mercado.
Por que o perfume continua vendendo mesmo na crise?
Para muitos consumidores brasileiros, perfume não é supérfluo. Segundo a Euromonitor (2016), citada em artigo publicado na SciELO, o fator-chave do consumo no país é o forte hábito cultural de usar fragrâncias, em especial no Norte e no Nordeste.
No mesmo artigo, entrevistas em Cachoeira (BA) mostraram que, para os moradores, perfume "é básico". E um gerente de Inteligência de Mercado ouvido pelo Anuário Abihpec de 2015 afirmou que, na crise, o brasileiro passa a consumir produtos com menor valor agregado, mas permanece consumindo.
O que isso muda na sua loja: em momentos de aperto, o cliente tende a trocar de faixa de preço, não a parar de comprar. Ter opções em mais de uma faixa ajuda a manter a venda.
Vender perfume dá dinheiro em qualquer loja? O que define o lucro
Não necessariamente. Demanda alta não garante lucro. O lucro da categoria depende de dois fatores que a sua loja controla: a margem (diferença entre o preço de venda e o custo do produto) e o giro (a velocidade com que o estoque é vendido e reposto). Os dados públicos citados aqui falam de demanda e de tamanho de mercado. Eles não trazem margem nem giro da categoria.
O perfil do mercado também importa. Segundo a ABIHPEC (2013), citada no artigo da Redalyc, a perfumaria de massa (produtos populares, de menor valor agregado) responde por cerca de 93% do mercado brasileiro. O mesmo artigo aponta que quase 60% do mercado de fragrâncias está concentrado em duas grandes empresas. Ou seja: há muito volume, mas também muita concorrência.
Aplique na sua loja esta semana
1. Separe as vendas de perfume no seu sistema e veja quanto a categoria representa no faturamento. 2. Calcule a margem real de cada item, com o custo que você de fato pagou. 3. Identifique os itens parados há mais tempo no estoque. 4. Compare as faixas de preço do seu sortimento com o perfil de quem compra na sua loja.
Perguntas frequentes
O mercado de perfume no Brasil é mais de perfume caro ou popular?
Popular. Segundo a ABIHPEC (2013), citada em artigo acadêmico, a perfumaria de massa tem cerca de 93% do mercado brasileiro de fragrâncias. Uma tese da USP, com dados da Euromonitor, também indica que, em 2010, 93% das vendas estiveram ligadas a produtos populares, como lavanda e água de colônia.
Em que região do Brasil as famílias gastam mais com perfume?
Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE (2008-2009), citada em artigo acadêmico, o gasto médio mensal familiar com perfumes era de R$29,37 no Norte e de R$22,49 no Nordeste. No Centro-Oeste era de R$20,62, no Sudeste de R$19,45 e no Sul de R$16,93.
O segmento de drogarias e perfumarias está crescendo?
Sim. Segundo o Ranking Top 300 do IRTT, as redes do segmento cresceram 15,4% em 2024, considerando as empresas que divulgaram vendas nos dois últimos anos. É o segundo segmento com maior participação em vendas entre as 300 maiores varejistas.
Fontes
- O Nordeste e o Mercado Nacional de Fragrâncias: notas para um mapa da produção/consumo de perfumes no Brasil (Redalyc) · academica
- Interdependências e interpenetrações civilizatórias: os aromas e sua magia (SciELO) · academica
- Tese de Laís Mourão Miguel (Teses USP, 2012) · academica
- Ranking Top 300 – Instituto Retail Think Tank (IRTT) · organizacion



