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Shopper de beleza no Brasil: quem compra, como decide e o que espera da loja

8 min de leitura · O negócio da perfumaria · Atualizado em 27/10/2026

Medium shot of a young Brazilian woman with long braids in a makeup aisle, holding a generic unlabeled lipstick in one hand and a phone with
Imagem gerada por IA
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    Em resumo

    O shopper de beleza no Brasil decide muito com base em recomendações. Pesquisas acadêmicas apontam o peso de influenciadores, grupos de referência, família, autoimagem e preço. Segundo a NielsenIQ (Consumer Outlook 2025), 49% dos brasileiros conhecem produtos novos online diariamente ou mais de uma vez por semana. Para a loja, isso pede atendimento consultivo e presença digital bem cuidada.

    Quem é o shopper de beleza e o que o leva a comprar?

    Neste texto, shopper é quem faz a compra na loja ou no site. Consumidor é quem usa o produto. Muitas vezes são a mesma pessoa. Às vezes não são.

    Estudos acadêmicos brasileiros ajudam a entender o que move esse cliente:

    • Fatores de influência. Um estudo do IFPE (2025) com consumidores de uma grande marca de cosméticos usou os quatro fatores de Philip Kotler: culturais, sociais, pessoais e psicológicos. Os que mais pesaram foram subcultura e classe social, grupos de referência e família, condições econômicas e personalidade ou autoimagem, motivação e percepção.
    • Atributos do produto. No mesmo estudo, qualidade, preço, embalagem, inovação e marca aparecem como determinantes na escolha.
    • Motivações. Uma pesquisa da Unijuí com universitárias concluiu que as principais motivações giram em torno dos benefícios do uso: sentir-se mais bonita e sentir-se melhor nos lugares que frequenta.

    O que isso muda na sua loja: a venda de beleza é pouco racional e muito pessoal. A consultora que pergunta sobre rotina, ocasião e gosto da cliente atende ao que de fato move a compra.

    Quanto a influência digital pesa na decisão do shopper de beleza?

    Pesa bastante, mas de forma desigual.

    Uma pesquisa de conclusão de curso da UFSC trouxe estes resultados entre os respondentes:

    • 61,86% disseram que já compraram algum produto de beleza após ver a recomendação de um influenciador digital.
    • 47,42% disseram que já compraram um produto baseado apenas na recomendação de um influenciador ou criador de conteúdo. Outros 52,58% disseram que não.
    • Sobre o impacto dos influenciadores nas próprias decisões, 56,70% responderam "pouca influência", 22,68% "muita influência", 13,40% "indiferente" e 7,22% "não tem influência".

    O mesmo trabalho cita a agência europeia Territory Influence (Maumelat, 2021). Segundo ela, mais de 65% dos consumidores de maquiagem decidem comprar um cosmético depois de ouvir a opinião de um influenciador nas mídias sociais, mesmo quando a marca já é bem estabelecida.

    Os dados de mercado vão na mesma direção. Segundo o NielsenIQ Consumer Outlook 2025, divulgado pelo E-Commerce Brasil:

    • 29% dos brasileiros acreditam que recomendações de pessoas que não conhecem pessoalmente influenciam a confiança em uma marca.
    • 49% conhecem novos produtos online diariamente ou mais de uma vez por semana.
    • 60% afirmam que comprariam produtos indicados por inteligência artificial.

    O que isso muda na sua loja: muitas clientes chegam já com um produto em mente, visto em rede social. A loja ganha quando reconhece essa referência e ajuda a cliente a confirmar ou ajustar a escolha.

    O que o shopper de beleza valoriza ao escolher uma marca e uma loja?

    Na pesquisa da UFSC, "boas recomendações" foi o fator mais citado na compra de uma marca: 71,10% dos respondentes. Em seguida veio o "fator emocional ligado ao produto", com 17,50%. "Custo-benefício" teve 1%.

    A pesquisa da Unijuí com universitárias trouxe um dado que interessa ao lojista. O nome da loja que vende o cosmético e o design da embalagem tiveram as menores médias de importância entre os atributos avaliados.

    Um trabalho da Etec de São Sebastião descreve um cliente que pesquisa e compara preços e avaliações antes de comprar. Esse cliente também interage mais com marcas que respondem rápido e oferecem conteúdo relevante. Na perfumaria, o mesmo trabalho aponta como frustração comum a fragrância cuja fixação e projeção não correspondem ao esperado.

    O que isso muda na sua loja: nesses estudos, o nome na fachada sozinho não segura a cliente. Recomendação, atendimento e confiança pesam mais. A loja constrói isso com uma equipe que conhece a categoria e com informação honesta sobre o que cada produto entrega, sem promessa de resultado.

    Como o digital está mudando as missões de compra?

    Missão de compra é o motivo que leva a pessoa a comprar naquele momento: repor um item, aproveitar uma promoção, buscar uma novidade, comprar um presente.

    Segundo a NIQ, em reportagem do E-Commerce Brasil, abastecimento e reposição, ao lado de promoções, se consolidaram como as principais razões de compra no e-commerce entre 2024 e 2025. Sortimento e eficiência de entrega são os atributos que mais marcam o canal. No mesmo levantamento, 61% dos brasileiros dizem considerar surpreendente receber um pedido entre 30 minutos após a compra e o dia seguinte. Esse fator poderia influenciar uma nova compra.

    Na lembrança de marca do e-commerce, a NIQ aponta O Boticário como o nome mais lembrado em cosméticos e perfumaria. A reportagem também registra que bar e pequeno varejo puxam a retração do consumo em 2025, enquanto o varejo moderno cresce.

    O que isso muda na sua loja: a reposição de itens de uso frequente é justamente a missão que o digital disputa. Atendimento rápido, estoque certo do básico e um canal fácil para a cliente pedir ajudam a manter essa compra na loja.

    O que ainda não se sabe sobre o shopper de beleza no Brasil?

    Há lacunas importantes, e é melhor conhecê-las antes de tomar decisões.

    • Os estudos acadêmicos citados aqui usam amostras específicas: universitárias de uma universidade gaúcha, consumidores de uma marca, respondentes de uma pesquisa local. Eles mostram tendências, não um retrato do país.
    • Nas fontes reunidas nesta página não há dado público consolidado sobre a frequência de compra de beleza nem sobre a fidelidade ao canal perfumaria.
    • A própria pesquisa da Unijuí afirma que o comportamento do consumidor de cosméticos ainda é pouco aprofundado. Ela sugere estudar outros perfis, como o consumidor masculino, que cresceu nos últimos anos.
    • O estudo do IFPE sugere aprofundar a relação entre fidelização e os fatores de decisão, além do efeito da digitalização.

    O que isso muda na sua loja: o seu próprio histórico de vendas e a conversa com as clientes valem muito. Eles completam o que a pesquisa pública ainda não mostra.

    Como aplicar na sua loja esta semana?

    1. Pergunte de onde veio a ideia. Oriente a equipe a perguntar, sem pressão, se a cliente viu o produto em alguma rede social ou indicação. Anote as respostas mais comuns durante a semana. 2. Treine a recomendação. Escolha três categorias da loja. Peça que cada consultora de beleza saiba explicar, em poucas frases, para quem cada opção serve. Ela deve falar da composição e do uso, sem prometer resultado. 3. Cuide da reposição. Liste os itens que as clientes mais repõem e confira se nunca faltam na gôndola. 4. Responda rápido no digital. Defina quem responde às mensagens da loja e em quanto tempo. O estudo da Etec indica que o cliente valoriza marcas que respondem rápido. 5. Ouça as frustrações. Registre reclamações sobre fixação de perfume ou expectativa não atendida. Use isso para ajustar a orientação no atendimento.

    O resultado é possível e depende da execução. A Salon Line acredita que lojista bem informado e equipe bem preparada vendem mais e melhor.

    Linha do tempo

    1. 2009 Segundo o Sebrae (2010), citado em estudo da Unijuí, o setor de cosméticos movimentou cerca de R$ 17 bilhões, um crescimento de 12,6% em relação a 2008.
    2. 2022 Segundo o Sebrae (2023), citado em trabalho da Etec de São Sebastião, as vendas online tiveram aumento de 21,2%.
    3. 2024 Segundo o Sebrae (2024), citado no mesmo trabalho da Etec, o mercado de beleza e cuidados pessoais no Brasil movimentou cerca de US$ 27 bilhões.
    4. 2024–2025 Segundo a NIQ, abastecimento, reposição e promoções se consolidaram como as principais razões de compra no e-commerce.
    5. 2025 O NielsenIQ Consumer Outlook 2025 indica que 29% dos brasileiros dizem que recomendações de pessoas que não conhecem pessoalmente influenciam a confiança em uma marca.

    Perguntas frequentes

    Influenciador digital decide a compra de beleza?

    Influencia, mas nem sempre decide sozinho. Na pesquisa da UFSC, 61,86% dos respondentes já compraram um produto de beleza após ver a recomendação de um influenciador. Já 47,42% compraram com base apenas nessa recomendação. A maioria (56,70%) disse que os influenciadores têm pouca influência nas próprias decisões.

    O nome da loja pesa na escolha do cosmético?

    Na pesquisa da Unijuí com universitárias, o nome da loja que vende o cosmético e o design da embalagem tiveram as menores médias de importância entre os atributos avaliados. Os benefícios de uso foram as principais motivações.

    Por que a compra de reposição importa para a loja física?

    Segundo a NIQ, abastecimento e reposição, ao lado de promoções, se consolidaram como as principais razões de compra no e-commerce entre 2024 e 2025. É uma missão que o digital disputa com a loja. Por isso, ter o básico sempre em estoque faz diferença.

    Existem dados públicos sobre frequência de compra de beleza?

    As fontes reunidas nesta página não trazem um dado consolidado sobre frequência de compra nem sobre fidelidade ao canal perfumaria. Os estudos acadêmicos disponíveis usam amostras locais e indicam que o tema ainda é pouco aprofundado.

    Fontes

    1. NielsenIQ: bens de consumo crescem 34% no e-commerce (E-Commerce Brasil) · prensa
    2. Fatores que influenciam a tomada de decisão de compra: estudo de caso com consumidores do Grupo O Boticário (IFPE) · academica
    3. O consumo de cosméticos e perfumaria: motivações e hábitos femininos (Unijuí) · academica
    4. Trabalho de conclusão de curso sobre influência digital e decisão de compra de beleza (UFSC) · academica
    5. Trabalho de conclusão de curso em Marketing sobre perfumaria artesanal (Etec de São Sebastião, Centro Paula Souza) · academica

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