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Contexto Este caso reúne o que a pesquisa acadêmica documenta sobre varejistas que passaram a oferecer a compra online com retirada na loja, conhecida pelas siglas BOPS ou BOPIS (do inglês buy online, pick up in store), ou ainda click-and-collect. A base principal é o estudo de Gao e Su, publicado na Management Science em 2017 (vol. 63, nº 8). Ele se soma a pesquisas citadas em revisões acadêmicas brasileiras: supermercados nos países nórdicos (Eriksson, Norrman e Kembro, 2019), supermercados no Reino Unido (Davies, 2019) e operações de separação de pedidos dentro da loja (Neves-Moreira e Amorim, 2023).
Muitos varejistas começaram a oferecer ao cliente a opção de comprar online e retirar na loja. Segundo Gao e Su (2017), porém, os impactos dessa implantação muitas vezes não são totalmente avaliados. A retirada mexe com o estoque, com o fluxo de clientes na loja, com a equipe e com a forma de contar a venda entre o canal online e a loja física.
A conclusão da pesquisa de Gao e Su (2017) é que o varejista deve ser cauteloso e seletivo. Em vez de liberar a retirada para todo o sortimento, convém escolher quais produtos ficam disponíveis para retirada e definir como a receita dessas vendas é dividida entre o canal online e a loja.
Compre online e retire na loja é o modelo em que o cliente faz o pedido pela internet e busca o produto no ponto físico. Segundo Gao e Su (Management Science, 2017), ele atrai clientes por mostrar estoque real e por ser conveniente, mas pode reduzir o tráfego nos itens mais vendidos. Por isso, escolha bem os produtos.
O que fizeram
Os estudos descrevem três frentes de execução.
- Escolha dos produtos elegíveis. Gao e Su (2017) mostram que nem todo produto é adequado para retirada na loja. Os produtos de baixo valor agregado são um exemplo.
- Adaptação do estoque dos fundos. Nos supermercados nórdicos estudados por Eriksson, Norrman e Kembro (2019), uma das soluções foi adaptar o backroom (o estoque dos fundos da loja) à nova lógica, para equilibrar custo e conveniência.
- Divisão da venda entre canais. Para evitar conflito entre o time da loja e o time do online, alguns varejistas testaram esquemas simples de divisão de receita. O mais comum é dar crédito total da venda aos dois canais e ajustar depois a dupla contagem nos registros internos.
O que funcionou
- Efeito informação: a retirada mostra em tempo real o que há no estoque da loja. Com essa garantia, o cliente se dispõe mais a ir até a loja (Gao e Su, 2017).
- Efeito conveniência: o modelo reduz o trabalho de procurar o produto e levá-lo ao caixa, porque a loja já separa o pedido (Gao e Su, 2017).
- A retirada pode levar mais clientes à loja e aumentar a venda de produtos que antes vendiam pouco (Gao e Su, 2017).
- O processo ajuda o varejista a conquistar novos clientes e a ampliar a base de clientes (Gao e Su, 2017).
- A retirada reduz o custo de frete do online, porque a última etapa da entrega passa a ser feita pelo próprio cliente (Gao e Su, 2017).
- A pesquisa de Herhausen e coautores (2015) mostra que integrar os canais gera vantagem competitiva e sinergia entre eles, em vez de um canal roubar venda do outro.
O que não funcionou
- Liberar a retirada para os itens mais vendidos da loja pode ter o efeito não planejado de reduzir o tráfego na loja (Gao e Su, 2017).
- A retirada pode levar clientes que já compravam online para a loja física, onde a margem pode ser menor que a do canal online (Gao e Su, 2017).
- Dar crédito total da venda só para um dos canais raramente é a melhor escolha (Gao e Su, 2017).
- A separação de pedidos dentro da loja pode atrapalhar o fluxo de clientes e criar atritos perceptíveis (Neves-Moreira e Amorim, 2023).
- Falhas no desenho do click-and-collect comprometem a sensação de continuidade da compra para o cliente (Davies, 2019, supermercados britânicos).
- O modelo traz novas tarefas: a loja precisa treinar a equipe para separar e embalar pedidos no prazo e, com mais demanda, contratar mais gente para atender os pedidos online (Forrester Research, 2014, e Lutz, 2012, citados por Gao e Su).
O que é compre online e retire na loja?
É a estratégia em que o cliente compra online e retira o produto na loja física, combinando a conveniência digital com o imediatismo da compra presencial. Na literatura, aparece como BOPS ou BOPIS (buy online, pick up in store) e como click-and-collect. Costuma vir junto de duas práticas próximas: a devolução na loja de uma compra feita online (BORIS) e o envio de pedidos a partir da loja (ship-from-store).
Qual a diferença entre retirar na loja e showrooming?
Na retirada, o cliente se informa online e recebe o produto na loja. O showrooming é o movimento contrário: o cliente pesquisa o produto na loja e depois compra online, geralmente por um preço menor (Gao e Su, 2017). Para a perfumaria, a retirada é uma forma de trazer o cliente digital para dentro da loja, onde a consultora de beleza pode atendê-lo.
O que muda no estoque e na equipe da loja?
Gallino, Moreno e Stamatopoulos (2017) partem da hipótese de que o varejista prioriza levar à loja os produtos com alta demanda local. Com isso, a venda de outros produtos pode ser prejudicada pela ausência deles no ponto de venda, e o nível de estoque precisa ser reajustado. Na equipe, a separação de pedidos vira uma tarefa nova, que exige treino e prazo. Davies (2019) lembra que o desenho do serviço envolve escolhas entre janelas de retirada e custo de operação.
Perguntas frequentes
Vale a pena oferecer retirada na loja para todos os produtos?
Segundo Gao e Su (2017), nem sempre. A pesquisa recomenda escolher os produtos elegíveis. Nos itens mais vendidos, a retirada pode reduzir o tráfego da loja. Produtos de baixo valor agregado também podem não ser adequados.
A retirada na loja tira venda do site?
Ela pode levar clientes que já compravam online para a loja, onde a margem pode ser menor (Gao e Su, 2017). Por outro lado, a pesquisa de Herhausen e coautores (2015) mostra que integrar os canais tende a gerar sinergia entre eles, e não canibalização.
Como dividir a venda entre loja e online?
Uma prática comum citada por Gao e Su (2017) é dar crédito total aos dois canais e ajustar a dupla contagem depois. O estudo conclui que dar o crédito inteiro a um só canal raramente é a melhor escolha.
Fontes
- Gao e Su: Omnichannel Retail Operations with Buy-Online-and-Pick-up-in-Store (Management Science, 2017) · academica
- Research in omnichannel retail: a systematic review and quantitative content analysis (Redalyc) · academica
- Alexandre Magno da Silva Filho: estudo sobre experiência omnichannel (Repositório UFRN) · academica



