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O DRE da loja de varejo é o relatório que mostra se o mês deu lucro ou prejuízo. Ele parte da receita bruta, desconta impostos sobre vendas, trocas e devoluções, chega à receita líquida, subtrai o custo das mercadorias vendidas e as despesas e termina no lucro operacional e no lucro líquido.
O que é o DRE e para que ele serve na sua loja?
DRE é a sigla de Demonstração do Resultado do Exercício. Um trabalho acadêmico da UTFPR resume a definição de Torres (2018): é "um relatório contábil que evidencia se as operações de uma empresa estão gerando um lucro ou prejuízo".
Uma tese de doutorado da USP acrescenta dois usos. O DRE mostra quanto o patrimônio do negócio aumentou ou diminuiu por causa da atividade do período. Ele também indica uma tendência para os resultados futuros, o que permite fazer análises e previsões.
Na prática da perfumaria, o DRE responde a uma pergunta simples: depois de pagar a mercadoria, os impostos e as despesas, sobrou dinheiro? Um relatório de estágio da UFLA, feito numa franquia de cosméticos, cita Barroso (2007): pela análise do DRE fica evidente se a empresa tem lucro ou prejuízo e qual é a sua lucratividade.
Quais são as linhas do DRE de uma loja de varejo?
A tese da USP apresenta a estrutura básica do DRE prevista no art. 187 da Lei n. 6.404/76:
- Receita bruta
- (-) Descontos e impostos sobre vendas
- (=) Receita líquida
- (-) Custo das mercadorias vendidas (CMV), dos serviços prestados ou dos produtos vendidos
- (=) Lucro bruto
- (-) Despesas operacionais e financeiras
- (=) Lucro (prejuízo) operacional
- (+/-) Outras receitas e despesas (não operacionais)
- (=) Resultado antes dos impostos, contribuições e participações
- (-) Impostos, contribuições e participações sobre o lucro
- (=) Lucro (prejuízo) líquido
No varejo de cosméticos, as primeiras linhas costumam ser mais detalhadas. O modelo usado por cada loja da franquia descrita no relatório da UFLA separa:
- Receita operacional bruta: vendas de mercadorias e prestação de serviços.
- Descontos e abatimentos: descontos de fidelidade, descontos ligados à rede e trocas.
- Deduções da receita: impostos incidentes sobre vendas (COFINS, PIS, ICMS, ISS ou Simples Nacional) e devoluções de vendas.
- Receita operacional líquida e, em seguida, custo das vendas.
Abrir essas linhas mostra, por exemplo, quanto da venda bruta o lojista deixou em desconto e troca antes mesmo de pagar a mercadoria.
Conteúdo informativo, não substitui contador ou advogado. O enquadramento tributário da sua loja define quais impostos aparecem nessas linhas.
Qual a diferença entre o DRE contábil e o DRE gerencial?
O DRE contábil segue a estrutura legal. O DRE gerencial reorganiza as mesmas informações para ajudar a decidir. Um trabalho de especialização publicado pela Secretaria de Educação de Santa Catarina usa um modelo gerencial com estas linhas: receita bruta operacional, impostos sobre vendas, receita operacional, custos variáveis, custos fixos, despesas variáveis, despesas fixas, lucro operacional, despesas financeiras, receitas financeiras e resultado líquido.
Separar o que é fixo do que é variável permite calcular a margem de contribuição. O mesmo trabalho a define como o valor que a empresa possui para pagar os custos fixos, depois de descontar os custos variáveis do faturamento.
Um projeto de perfumaria artesanal da Etec, que segue as diretrizes metodológicas do Sebrae (2013), usa a fórmula gerencial: resultado = receita total - custos variáveis - custo fixo.
Em demonstrativos maiores aparece ainda o EBITDA. O trabalho da UTFPR o descreve como o caixa baseado apenas nas atividades operacionais, antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
Por que o DRE segue a competência e não o caixa?
A tese da USP explica o princípio da competência. Receitas e despesas entram no DRE quando acontece o fato gerador, e não quando o dinheiro entra ou sai.
Dois exemplos da própria tese:
- Numa venda a prazo, com recebimento depois de três meses, a receita é reconhecida desde a formalização da venda.
- Depois de um mês de trabalho de um empregado, a empresa deve provisionar os encargos devidos, como férias e décimo terceiro salário. Ela não espera o dia do pagamento para registrar a despesa.
O que isso muda na sua loja: um mês com caixa cheio pode ter resultado ruim, e o contrário também acontece. A franquia descrita pela UFLA lançava todo mês os gastos que não têm boleto, como a depreciação de cada loja. Ela também rateava o custo do escritório central entre os PDVs conforme o faturamento de cada um. Quem não faz esses lançamentos enxerga um lucro maior do que o real.
Como ler o resultado do mês no DRE?
O relatório da UFLA descreve uma rotina de leitura mensal, loja por loja:
1. Comparar o DRE com o mês anterior e com o mesmo mês do ano passado. 2. Procurar valores atípicos, chamados outliers, e conferir se são reais ou erro de lançamento. 3. Olhar os custos mais expressivos, ver o que subiu ou caiu e buscar a causa. 4. Considerar o calendário. O relatório cita as trocas: em meses com datas comemorativas, como o Natal, o valor das trocas sobe naturalmente. Se as trocas sobem num mês sem nada diferente, isso merece explicação.
O trabalho de Santa Catarina mostra duas ferramentas para essa leitura:
- Análise horizontal: compara cada linha com o mesmo item de outros períodos.
- Análise vertical: mostra quanto cada linha representa sobre o total.
O projeto da Etec reúne três indicadores ligados ao DRE:
- Lucratividade: lucro líquido / receita x 100. Mostra quanto de cada venda vira lucro.
- Rentabilidade: lucro líquido / investimento x 100. Mostra quanto do capital investido retorna.
- Ponto de equilíbrio: volume mínimo de vendas para cobrir todos os custos do mês, sem lucro nem prejuízo, segundo o Sebrae (2013).
Como aplicar o DRE na sua loja esta semana?
- Monte o DRE do último mês com as linhas da receita bruta até o lucro líquido. Separe descontos, trocas e devoluções.
- Divida as despesas em fixas e variáveis e calcule a margem de contribuição.
- Lance também o que não tem boleto, como a depreciação e a parte de despesas compartilhadas, se você tiver mais de uma loja.
- Coloque lado a lado o mês atual, o mês anterior e o mesmo mês do ano passado.
- Marque os três custos que mais pesam e anote a causa de cada variação.
- Leve o resultado ao seu contador para conferir os impostos e o enquadramento.
Perguntas frequentes
DRE e fluxo de caixa são a mesma coisa?
Não. O DRE segue o princípio da competência: receitas e despesas entram quando acontece o fato gerador, não quando o dinheiro entra ou sai, segundo a tese da USP. No exemplo da UTFPR, o fluxo de caixa é calculado depois do lucro líquido, com ajustes como a depreciação e a amortização do financiamento.
Onde entram as trocas e as devoluções no DRE da loja?
No modelo da franquia de cosméticos descrita pela UFLA, as trocas ficam em descontos e abatimentos. As devoluções de vendas ficam nas deduções da receita bruta, junto com os impostos sobre vendas. As duas reduzem a receita antes de chegar à receita líquida.
O Simples Nacional aparece no DRE?
No modelo da UFLA, o Simples Nacional aparece entre os impostos incidentes sobre vendas, ao lado de COFINS, PIS, ICMS e ISS. Quais linhas valem para a sua loja depende do regime tributário. Conteúdo informativo, não substitui contador ou advogado.
Com que frequência devo analisar o DRE?
Na franquia descrita pela UFLA, o DRE de cada loja era analisado ao final de cada mês. Ele era comparado com o mês anterior e com o mesmo mês do ano passado para achar erros de lançamento, valores atípicos e variações sem explicação nos custos mais expressivos.
Fontes
- A auditoria externa e as demonstrações contábeis no direito comercial (tese de doutorado, USP) · academica
- Atividades desenvolvidas na área administrativa em uma franquia de cosméticos (UFLA) · academica
- Análise comparativa entre os regimes tributários e índices financeiros (SED-SC) · academica
- Irupé Arte em Fragrância: projeto de perfumaria artesanal (Etec, Centro Paula Souza) · academica
- Verde.Ser: indústria de cosméticos (UTFPR) · academica



