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Árvore de decisão de compra é o mapa da ordem em que o shopper (quem compra) escolhe um produto na categoria: por exemplo, primeiro o tipo, depois a marca, depois o preço. Na gestão de categoria, ela orienta como agrupar e expor os itens na gôndola, para que o cliente encontre o que procura em poucos segundos.
O que é a árvore de decisão de compra na gestão de categoria?
A árvore de decisão de compra é uma ferramenta do gerenciamento por categoria (GC), o método que trata cada grupo de produtos como uma unidade de negócio. Ela descreve quais atributos pesam na escolha do cliente e em que ordem.
Dois casos publicados pela revista SuperHiper, da ABRAS, mostram a ideia:
- O Goodbom Supermercados, de Hortolândia (SP), usou a árvore de decisão para comparar os atributos mais importantes para seus clientes, como tipo, marca, sabor e preço. Assim, a rede soube quais fatores influenciavam a decisão final de compra.
- A Vinícola Aurora informa que sua árvore de decisão para vinho começa pela marca, passa pela variedade e termina no preço. A empresa ressalta que há variações conforme o tipo de canal.
O motivo de mapear essa ordem está na própria loja física. Segundo Clilson Filippetti, CEO da CL Consultoria Comercial, é em frente à gôndola que, em segundos, o shopper decide colocar o produto no carrinho.
Como usar a árvore de decisão de compra para organizar a gôndola?
Eduardo Bezerra, gerente de Shopper Insights e Gerenciamento por Categoria da Reckitt, descreve na SuperHiper quatro regras básicas:
1. Onde a categoria deve estar na loja. 2. O que deve existir na categoria: quantas marcas e tipos de produto. 3. Quantos itens ter na gôndola. 4. Como organizá-los. Um exemplo citado por ele é deixar na altura dos olhos o produto com maior ticket médio.
Segundo o executivo, redes pequenas que passaram a organizar a categoria de forma lógica, com base na árvore de decisão do shopper, tiveram aumento de 30% nas vendas em três meses. Ele cita ganhos na base de 30% a 40% após a reorganização da gôndola. São números informados pela indústria. O resultado é possível e depende da execução.
O caso de iogurtes do Goodbom mostra a lógica na prática. A categoria era organizada por marcas e passou a ser exposta por segmentos: saudável, proteico, funcional, infantil, familiar e especiais. Entre junho e setembro do ano da reportagem, a loja de Hortolândia registrou aumento de 16,26% na venda dos iogurtes funcionais e de 32,71% na linha dos saudáveis.
Numa loja de cosméticos, o ponto de partida é o mix de categorias. Um trabalho da UFAL sobre uma loja de cosméticos lista cabelo, corpo, higiene pessoal, maquiagem, uso infantil, público masculino, unhas, acessórios e eletros. O mesmo trabalho observa que acessórios e eletros costumam ser compra não planejada. Para cada categoria, a pergunta é a mesma: o que o seu cliente escolhe primeiro?
Aplique na sua loja esta semana
- Escolha uma categoria com bom giro.
- Pergunte às consultoras de beleza o que o cliente costuma pedir primeiro e anote.
- Compare essa ordem com a forma como a gôndola está organizada hoje.
- Faça um ajuste e acompanhe as vendas da categoria nas semanas seguintes.
Quais são as confusões comuns sobre a árvore de decisão de compra?
Achar que é o mesmo que planograma. O planograma é o desenho da exposição na gôndola. Marcel de Pierre Teotônio Amati, gerente comercial de Mercearia da Coop, explica na SuperHiper que o planograma é a última etapa do processo. Antes dele vêm o posicionamento da empresa e a estruturação das categorias.
Achar que é o mesmo que árvore mercadológica. A árvore mercadológica é a forma como a loja classifica seus produtos internamente. No caso do Goodbom, a árvore de decisão foi determinante para reestruturar a árvore mercadológica da rede. Uma informa a outra, mas não são a mesma coisa.
Montar a árvore só pela intuição. Amati defende decisões baseadas em dados estruturados, com foco no cliente.
Supor que a marca sempre vem primeiro. No Goodbom, a categoria de iogurtes deixou de ser organizada por marcas e passou a ser organizada por segmentos.
Usar uma árvore única para tudo. A Vinícola Aurora relata variações por canal. Clilson Filippetti lembra que o hábito de compra muda por região: um consumidor do Sul compra de forma bem diferente de quem é do Norte.
Perguntas frequentes
Árvore de decisão de compra serve para loja pequena?
Sim. Segundo a Reckitt, em entrevista à revista SuperHiper, da ABRAS, redes pequenas organizaram categorias com base na árvore de decisão do shopper sem um processo complexo, apenas com recomendações básicas. O resultado depende da execução.
Qual a diferença entre árvore de decisão de compra e planograma?
A árvore de decisão mostra a ordem em que o cliente escolhe, por exemplo, tipo, marca e preço. O planograma é o desenho da exposição na gôndola e, segundo a Coop, é a última etapa do gerenciamento por categoria.
A árvore de decisão de compra é igual em todo lugar?
Não. A Vinícola Aurora relata variações conforme o canal de venda, e o consultor Clilson Filippetti aponta diferenças de hábito de compra entre regiões, como Sul e Norte.



