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Para quem é Donos e gerentes de perfumarias e lojas de cosméticos que querem estruturar o atendimento. Também serve para vendedoras e consultoras de beleza que atendem as categorias de pele e cabelo no balcão e na gôndola.
Como vender cosméticos com venda consultiva: a consultora de beleza primeiro escuta a cliente sobre rotina, hábitos e produtos que já usa. Depois explica o uso de cada item e propõe uma rotina simples. Num estudo da PUC-Rio, funcionários de farmácias relataram que clientes de dermocosméticos têm dúvidas sobre o uso, mesmo com recomendação médica.
Passo a passo
Prepare a equipe antes de mudar o atendimento
Venda consultiva depende de conhecimento. Monte uma trilha interna curta sobre as categorias de pele e cabelo que a loja vende. Inclua para que serve cada tipo de produto, como se usa e em que ordem.
No estudo da PUC-Rio, funcionários que passaram por capacitação disseram se sentir mais confortáveis e competentes para tirar as dúvidas rotineiras dos clientes.
Comece pela escuta, não pelo produto
Antes de mostrar qualquer item, pergunte o que a cliente procura e por quê. Deixe que ela descreva a rotina com as próprias palavras. A venda consultiva começa quando a consultora entende a necessidade. Mostrar o que está em promoção vem depois, se fizer sentido.
Faça perguntas sobre hábitos e rotina
Use perguntas simples e abertas:
- Quais produtos você usa hoje na pele e no cabelo?
- Com que frequência?
- O que você gosta e o que incomoda na sua rotina atual?
- Você sente que usa os produtos certos para o seu tipo de pele ou cabelo?
A última pergunta é útil. Numa tese da USP, 21,4% das participantes disseram não saber se usam produtos adequados ao seu tipo de pele e cabelos.
Explique como usar cada produto
Diga quando aplicar, em que quantidade, em que ordem e com que frequência. Esse é o ponto em que a consultora agrega mais valor.
No estudo da PUC-Rio, o primeiro achado foi a percepção de que consumidores de dermocosméticos precisam de informações complementares sobre o uso do produto. A dúvida aparece mesmo quando o produto foi recomendado por um médico.
Proponha uma rotina simples, que a cliente consiga seguir
Monte a recomendação como uma rotina, e não como uma lista de itens soltos. Prefira poucos passos que a cliente vai cumprir no dia a dia.
Se fizer sentido, sugira um kit, ou seja, um conjunto de produtos que se completam na rotina proposta. O kit só deve entrar quando atende à necessidade que a cliente descreveu.
Comunique com clareza e sem promessas
O estudo da PUC-Rio cita Miguel (2003): comunicação clara, persuasiva e prestativa é um dos atributos do vendedor consultivo.
Fale de uso, textura e sensação. Não prometa resultado e não faça alegação terapêutica, como "cura" ou "trata". Resultado possível depende do uso correto e de cada pessoa.
Mantenha o relacionamento depois da venda
Kotler (2003), citado no estudo da PUC-Rio, define marketing de relacionamento como criar, manter e aprimorar fortes relacionamentos com os clientes.
Na prática, você pode perguntar na próxima visita como a cliente se adaptou à rotina. Se quiser contato por mensagem, peça autorização antes e guarde só os dados necessários, em linha com a LGPD.
Aplique na sua loja esta semana
1. Escolha uma categoria, como cuidados com o cabelo, para começar. 2. Reúna a equipe por 30 minutos e revise como se usa cada tipo de produto dessa categoria. 3. Combine quatro perguntas de escuta que todas vão fazer no atendimento. 4. Treine entre vocês a explicação de uso de três produtos. 5. Ao fim da semana, converse com a equipe sobre as dúvidas mais comuns que surgiram.
O que é venda consultiva de cosméticos?
Venda consultiva é um modo de vender em que a consultora orienta a cliente, em vez de apenas entregar o produto pedido.
O trabalho da PUC-Rio sobre dermocosméticos cita Las Casas (2005): na venda consultiva, a proposta de valor do vendedor vai além do produto ou serviço. Vai além até da solução que se possa construir em torno dele. Por isso o estudo dá importância ao papel do dermoconsultor como suporte de informação.
O que isso muda na sua loja: o diferencial da equipe passa a ser a orientação. O preço deixa de ser o único argumento.
Como vender cosméticos para quem não sabe se usa o produto certo?
Muita cliente chega à loja sem certeza sobre a própria rotina. Uma tese da USP aplicou questionários a participantes com diferentes tipos de pele e cabelos:
- 75% disseram considerar que usam os produtos corretos;
- 21,4% disseram não saber se usam produtos adequados.
A mesma tese relata mudanças de hábito durante a pandemia. Entre elas estão o aumento na frequência de máscaras faciais e o uso de produtos mais específicos para pele e cabelos. Algumas participantes passaram a fazer em casa tratamentos antes feitos em salões, como a coloração capilar.
O que isso muda na sua loja: perguntar sobre a rotina abre espaço para orientar. Isso vale também para quem já se sente segura com os produtos que usa.
O que muda na loja quando a equipe é capacitada para a venda consultiva?
O estudo da PUC-Rio entrevistou 12 funcionários de três grandes farmácias na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro: 3 gerentes, 6 vendedores e 3 dermoconsultores. As entrevistas foram feitas em outubro de 2017. Os entrevistados relataram cinco percepções:
1. Clientes de dermocosméticos precisam de informações complementares sobre o uso. 2. O conhecimento do consultor aproxima o cliente da marca. 3. O cliente vê valor adicional nos pontos de venda que têm dermoconsultores. 4. A capacitação dos funcionários gera valor para o cliente. 5. A capacitação representa uma valorização da função profissional e aumenta a autoconfiança.
O estudo tem limites que a própria autora aponta. É qualitativo, ouviu poucas pessoas e se restringiu a farmácias de uma região do Rio de Janeiro. Os achados são percepções dos funcionários, não medições de vendas.
O que isso muda na sua loja: capacitar a equipe pode ajudar no atendimento e também na motivação de quem atende. O resultado possível depende da execução.
Até onde vai o papel da consultora de beleza?
A tese da USP registra que as participantes relataram alterações como acne, dermatite seborreica, dermatite atópica e caspa. São condições dermatológicas. A consultora de beleza não deve tentar identificá-las nem tratá-las.
O papel da consultora é entender hábitos e preferências, explicar o uso dos cosméticos e montar uma rotina. Quando a cliente relatar um problema de pele ou couro cabeludo, oriente a procurar um médico.
Ao falar dos produtos, evite promessa de resultado e alegação terapêutica. Esse cuidado protege a cliente, a loja e a confiança no atendimento.
Erros comuns
- Oferecer produto antes de entender a necessidade da cliente.
- Tentar diagnosticar condições como acne ou dermatite em vez de orientar a procura por um médico.
- Prometer resultado ou usar linguagem de tratamento ao falar de cosméticos.
- Recomendar uma rotina longa demais, que a cliente não vai seguir.
- Vender sem explicar como e quando usar cada produto.
- Capacitar só uma pessoa e deixar o restante da equipe sem preparo para tirar dúvidas.
- Coletar dados de contato sem autorização da cliente.
Perguntas frequentes
Venda consultiva serve só para dermocosméticos?
O estudo da PUC-Rio analisou dermocosméticos em farmácias. A lógica de escutar, explicar o uso e propor uma rotina pode ser aplicada a outras categorias da perfumaria, como cabelo e cuidados com o corpo.
O que é kit skin care?
É um conjunto de produtos para a pele pensados para serem usados juntos numa rotina. Na venda consultiva, o kit só faz sentido quando atende à necessidade que a cliente descreveu no atendimento.
Preciso de uma dermoconsultora formada para fazer venda consultiva?
Os estudos usados nesta página não definem uma formação obrigatória. O estudo da PUC-Rio relata que funcionários de diferentes cargos se sentiram mais preparados para tirar dúvidas depois de capacitados.
Venda consultiva garante aumento de vendas?
Não há garantia. O estudo da PUC-Rio traz percepções de funcionários sobre o valor percebido pelo cliente, não medições de vendas. O resultado possível depende da execução na sua loja.



