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Não existe um valor ideal fixo de capital de giro para uma empresa. Segundo Fleuriet e Zeidan (2015), citados na Revista Brasileira de Finanças (2019), a necessidade depende do modelo de negócio e do nível de vendas. Na loja, o ideal é o menor valor que sustenta as vendas. Ele é calculado pelos prazos de estoque, recebimento e pagamento.
Por que não existe um valor ideal de capital de giro para uma empresa?
Capital de giro é o dinheiro preso na operação: estoque e valores a receber, menos o que você ainda deve pagar. Um artigo da Revista Brasileira de Finanças (2019) parte do conceito de Fleuriet e Zeidan (2015). Segundo esse conceito, a necessidade de capital de giro (NCG) depende de dois fatores: o modelo de negócio e o nível de vendas.
Por isso o número muda de loja para loja e muda na mesma loja ao longo do ano. Um estudo na Revista Catarinense da Ciência Contábil cita Seidel e Kume (2003). Os autores listam motivos que alteram a NCG: mudança no preço dos estoques, variação da atividade econômica e mudança nos prazos de fornecedores e clientes. Eles também alertam que a NCG e suas variações levam muitas empresas à falência.
Um caso público mostra isso no varejo. Um trabalho de conclusão de curso da UFSC (2023) sobre a Lojas Renner registra que o prazo médio de estoque aumentou em 2020. Com a pandemia, as vendas caíram e o estoque subiu. A autora projetou a volta à média de 2018 e 2019, de 117,56 dias. A lição para uma loja independente é simples: o seu número também se move com as vendas. Ele precisa ser recalculado.
Como calcular a necessidade de capital de giro da sua loja?
O artigo da Revista Brasileira de Finanças traz a definição de NCG usada por Fleuriet e Zeidan (2015):
NCG = contas a receber + estoques + despesas antecipadas − fornecedores − salários e encargos a pagar − obrigações fiscais − adiantamentos de clientes.
A NCG acompanha o ciclo financeiro, também chamado ciclo de conversão de caixa. Ele mede quantos dias o seu dinheiro fica preso entre pagar o fornecedor e receber do cliente:
Ciclo financeiro = PME + PMR − PMP.
- PME (prazo médio de estocagem): estoque médio dividido pelo custo das vendas por dia. Mostra quantos dias o produto fica parado na gôndola e no depósito.
- PMR (prazo médio de recebimento): total a receber, como cartão parcelado e crediário, dividido pela média de vendas diárias.
- PMP (prazo médio de pagamento): total a pagar aos fornecedores dividido pela média de vendas diárias, no modelo simplificado do artigo.
Quanto maior o ciclo, maior a necessidade de capital de giro, segundo o estudo da Revista Catarinense da Ciência Contábil.
O Sebrae indica a Planejadora Financeira do Sebrae para fazer essa conta. Você informa a estimativa de vendas e custos mensais, o prazo de giro do estoque e os prazos de pagamento e recebimento. O material do Sebrae que traz essa indicação trata de fábrica de cosméticos ecológicos, mas a lógica de prazos vale para o varejo. O mesmo material recomenda acompanhar o fluxo de caixa todo mês.
Reduzir o capital de giro é sempre melhor?
Na maior parte dos casos, ter dinheiro parado além do necessário custa caro. Zeidan e Shapir (2017), citados no artigo da Revista Brasileira de Finanças, estimam que a MRV obteve retorno de U$ 2 bilhões à época. A empresa corrigiu ineficiências nos prazos de recebimento e estocagem, quase sem custos diretos. O mesmo artigo relaciona investimento excessivo em estoque a resultados operacionais e financeiros piores.
Mas existe um limite. Se a empresa já é eficiente, encurtar ainda mais o ciclo pode reduzir margens e faturamento. Alongar o prazo com fornecedores melhora o caixa. Por outro lado, pode fazer você perder descontos por pagamento antecipado e desgastar a relação com quem abastece a loja.
Aplique na sua loja esta semana
- Levante três números: o valor do estoque, o total a receber de cartões e crediário e o total a pagar aos fornecedores.
- Calcule o PME, o PMR e o PMP e chegue ao ciclo financeiro da loja.
- Separe os itens de baixo giro. Eles prendem capital de giro sem gerar venda.
- Antes de pedir mais prazo ao fornecedor, compare com o desconto oferecido para pagamento antecipado.
- Refaça a conta todo mês junto com o fluxo de caixa, sobretudo antes de datas fortes de venda.
Perguntas frequentes
O que pesa mais no capital de giro de uma loja: estoque ou recebimento?
Depende da loja. O artigo da Revista Brasileira de Finanças cita Kieschnick et al. (2013): melhorar o prazo médio de recebimento gera mais valor econômico do que melhorar o prazo médio de estocagem. Na literatura citada, estoque menor também aparece associado a mais liquidez e a melhor resultado financeiro.
Pedir mais prazo ao fornecedor é sempre vantajoso?
Não necessariamente. Alongar o prazo de pagamento deixa mais dinheiro no caixa. Em troca, você pode perder descontos por pagamento antecipado e prejudicar a relação com o fornecedor, segundo autores citados no artigo da Revista Brasileira de Finanças.
Existe uma ferramenta para calcular a necessidade de capital de giro?
Sim. O Sebrae indica a Planejadora Financeira do Sebrae. Você informa vendas e custos mensais, o prazo de giro do estoque e os prazos de pagamento e recebimento. A ferramenta calcula a necessidade de capital de giro e outros indicadores, como lucratividade e prazo de retorno do investimento.
Fontes
- Gestão do ciclo financeiro, rentabilidade e restrições financeiras — Revista Brasileira de Finanças (2019) · academica
- Determinantes da necessidade de capital de giro e do ciclo financeiro das empresas brasileiras listadas — Revista Catarinense da Ciência Contábil · academica
- Avaliação da Lojas Renner — Trabalho de conclusão de curso, UFSC · academica
- Ideia de negócio: fábrica de cosméticos ecológicos — Sebrae · organizacion
Quantas vezes o estoque gira e para quantos dias de venda ele dá.
Quanto dinheiro a loja precisa ter para girar entre pagar o fornecedor e receber do cliente.



