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Mito ou fato

“Tester aumenta a venda”

4 min de leitura · Categoria, gôndola e vitrine · Atualizado em 27/10/2026

Medium shot of a Brazilian man in his thirties spraying a generic unlabeled tester onto a scent strip at a fragrance display while a saleswo
Imagem gerada por IA
Nesta página
    VereditoSEM CONTEXTO

    A afirmação pode até se confirmar em uma loja, mas circula sem dado público que diga quanto, em que categoria e a que custo o tester aumenta a venda.

    Em resumo

    A frase “tester aumenta a venda” circula entre lojistas, mas não vem acompanhada de um número verificável. Nenhum estudo citado aqui mede o efeito de testers na conversão da perfumaria. O que existe é um estudo da UFV, com dados da POF 2017/2018, sobre quem compra cosméticos. Trate a ideia como hipótese e meça na sua loja.

    Tester aumenta a venda? Como essa frase circula

    A frase aparece como regra pronta: se o cliente pode experimentar, compra mais. Ela costuma vir sem estudo, sem categoria definida e sem o custo do tester na conta.

    Tester é a unidade aberta do produto, deixada na gôndola ou no balcão para o cliente experimentar. Ela não é vendida e entra como custo da loja.

    O problema não é a ideia em si. É a falta de três informações: quanto a venda muda, em quais categorias isso acontece e se o ganho paga o custo.

    Por que a ideia de que o tester vende parece tão certa?

    Ela combina com a rotina da loja. A consultora de beleza vê o cliente experimentar e, às vezes, levar o produto. Essa cena fica na memória.

    O que fica de fora é o resto da conta. Não aparecem os clientes que experimentaram e não compraram, nem os que comprariam de qualquer jeito. Sem comparar períodos ou gôndolas com e sem tester, a percepção não vira medida.

    O que é verdade e o que não se pode afirmar sobre testers?

    Não é possível afirmar que o tester aumenta a venda, nem que não aumenta. Esta página não traz um número sobre isso porque nenhum estudo citado aqui mede o efeito de testers na conversão, que é a parte dos clientes que entram ou experimentam e de fato compram.

    O que um estudo público mostra é outro ponto: quem compra a categoria. Segundo o artigo de Gabriel Teixeira Ervilha e Raniella Orquiza da Silva, publicado em 2024 na revista Oikos, da UFV, com dados da POF 2017/2018 do IBGE, pouco mais de 52% dos domicílios da amostra adquirem algum cosmético ou artigo de perfumaria. O consumo de higiene pessoal aparece em 100,00% dos domicílios.

    Na semana de referência, a despesa média deflacionada com perfumaria e cosméticos foi de, aproximadamente, R$ 59,38. Com higiene pessoal, foi de R$ 73,41.

    O estudo explica a decisão de comprar a categoria. Ele não avalia o que acontece dentro da loja, como tester, exposição ou atendimento.

    Que contexto ajuda o lojista a decidir sobre testers?

    O mesmo estudo indica fatores ligados à maior propensão a comprar perfumaria e cosméticos: mais anos de estudo do chefe do domicílio, renda maior, mulher como chefe do domicílio, domicílio em região metropolitana e presença de criança. Domicílio em área rural e presença de idoso aparecem ligados a menor propensão.

    A amostra analisada foi de 56.269 domicílios, que representam, aproximadamente, 67.203.644 domicílios brasileiros.

    Para a sua loja, isso significa que o público e a categoria pesam. Um tester pode fazer diferença em um tipo de produto e de cliente e quase nenhuma em outro. Por isso a decisão precisa de medida local.

    Aplique na sua loja esta semana

    1. Escolha uma categoria e anote as vendas de um período sem mudança na gôndola. 2. Registre quanto custa cada tester aberto, incluindo a unidade que deixa de ser vendida. 3. Compare as vendas com e sem tester em períodos parecidos, sem promoção no meio. 4. Mantenha o tester só onde o ganho de venda pagar o custo. Esse resultado é possível, mas depende da execução.

    Perguntas frequentes

    Existe estudo que prove que tester aumenta a venda?

    Nenhum estudo citado nesta página mede o efeito de testers na conversão. Por isso, a afirmação deve ser tratada como hipótese a testar na loja.

    Quantos domicílios compram perfumaria e cosméticos no Brasil?

    Segundo estudo publicado em 2024 na revista Oikos, da UFV, com dados da POF 2017/2018, pouco mais de 52% dos domicílios da amostra adquirem algum cosmético ou artigo de perfumaria.

    Quanto as famílias gastam com perfumaria e cosméticos?

    No mesmo estudo, a despesa média deflacionada na semana de referência foi de, aproximadamente, R$ 59,38 com perfumaria e cosméticos e de R$ 73,41 com higiene pessoal.

    Como saber se vale a pena manter testers na minha loja?

    Compare as vendas de uma categoria com e sem tester em períodos parecidos e coloque o custo dos testers na conta. Mantenha onde o ganho pagar o custo.

    Fontes

    1. Determinantes do consumo das famílias brasileiras em artigos de higiene pessoal, cosméticos e perfumaria (Oikos, UFV, 2024) · academica

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