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Mix de produtos na loja de cosméticos: amplitude, profundidade e papéis das categorias

6 min de leitura · Compras e estoque · Atualizado em 27/10/2026

Overhead flatlay on a light surface of generic unlabeled items arranged in columns by category: perfume bottles, lipsticks, shampoo bottles,
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    Em resumo

    O mix de produtos da loja de cosméticos combina amplitude, que é o número de categorias, subcategorias e segmentos, e profundidade, que é o número de marcas e itens dentro de cada categoria. Cada categoria cumpre um papel, como destino, rotina, ocasional ou conveniência, e categorias de destino pedem mais amplitude e profundidade.

    O que é o mix de produtos de uma loja de cosméticos?

    Mix, ou sortimento, é o conjunto de produtos que a loja decide oferecer. A literatura de varejo o descreve com duas medidas, segundo artigo publicado pela ANPAD com base em Lewison (1997) e Mason et al. (1993):

    • Amplitude: o número de categorias, subcategorias e segmentos que a loja vende.
    • Profundidade: o número de marcas e itens dentro de uma categoria.

    Categoria, por sua vez, é um conjunto de produtos que atende a uma necessidade específica do shopper (quem faz a compra) e oferece uma solução completa que o varejista consegue gerenciar. Essa definição, da consultoria Integration (2003), aparece em dissertação da FGV.

    Na prática, o menor nível do mix é o SKU (Stock Keeping Unit), a especificação mais detalhada de um item, com tamanho, cor, tipo de embalagem e outros atributos.

    O que isso muda na sua loja: antes de discutir marca, decida quantas categorias você quer cobrir (amplitude) e quantas opções vai ter em cada uma (profundidade). São decisões diferentes, com custos de estoque diferentes.

    Quais categorias costumam compor o mix de uma loja de cosméticos?

    Um projeto acadêmico da UFAL, de 2022, propôs para uma loja de cosméticos em shopping um mix organizado nestas categorias:

    • cabelo;
    • corpo;
    • higiene pessoal;
    • maquiagem;
    • uso infantil;
    • público masculino;
    • unhas;
    • acessórios;
    • eletros.

    O mesmo trabalho observa que acessórios e eletros geralmente são artigos de compra não planejada. Por isso ficam dispostos de forma estratégica no ambiente e funcionam como diferencial para aumentar as vendas.

    Essa lista é uma proposta para um caso específico, não uma regra. A escolha das categorias depende do seu público, da sua localização e da sua concorrência.

    Como organizar as categorias na ordem em que a cliente pensa?

    O gerenciamento por categorias usa uma ferramenta chamada árvore de decisão. Ela define não só quais produtos ficam juntos, mas em que ordem a cliente pensa ao escolher. Segundo a dissertação da FGV, que cita a ECR Brasil, a sequência costuma ser:

    1. categoria; 2. subcategorias; 3. segmentos; 4. subsegmentos; 5. só então as marcas e os SKUs.

    O exemplo do estudo é de supermercado (cuidados com animais, divididos por tipo de animal e depois por necessidade). A lógica vale para qualquer varejo: primeiro a necessidade, depois a marca.

    A dissertação da USP registra, com base em Parente (2000), que o layout da loja geralmente reflete a classificação dos produtos. Agrupar por categoria estimula a compra de complementares e facilita a escolha de substitutos.

    O que isso muda na sua loja: a gôndola deve seguir a lógica da necessidade da cliente, não apenas a separação por fornecedor.

    Quais são os papéis das categorias no mix da perfumaria?

    As categorias não têm a mesma importância para todas as lojas. Segundo a dissertação da USP, com base em Parente (1997), a importância de cada categoria se mede pela capacidade de atrair clientes e de definir a imagem do varejista. A classificação usual é:

    • Destino: define o foco da loja e reúne os produtos de maior atração de clientes.
    • Rotina: não é o foco principal, mas atrai consumidores que criam o hábito de comprar ali.
    • Ocasional: baixo poder de atração; a cliente compra só de vez em quando.
    • Conveniência: o menor poder de atração; muitas vezes a cliente nem esperava encontrar o produto na loja.

    A dissertação da FGV acrescenta que categorias de destino exigem alto investimento em ações no ponto de venda e estoque alto, pela reposição contínua. Já as de rotina pedem local de destaque, para facilitar a compra frequente. O mesmo estudo afirma que quem define o papel é o gerente do ponto de venda, conforme o mix da loja, a concorrência e o perfil dos consumidores.

    Para Parente (2000), citado pela USP, a amplitude e a profundidade devem variar conforme o papel: categorias de destino merecem mais amplitude e profundidade, e assim sucessivamente. A fonte ilustra com um exemplo de supermercado de periferia, em que a categoria frangos pesa muito mais que vinhos, segundo o artigo da ANPAD.

    O que isso muda na sua loja: não distribua estoque e espaço por igual. Concentre profundidade nas categorias que trazem a cliente até você.

    Como equilibrar marcas líderes e de segunda linha no sortimento?

    O artigo da ANPAD, sobre varejo para a baixa renda, defende um mix adequado entre dois grupos:

    • marcas líderes, que representam o desejo de consumo e são compradas em momentos específicos;
    • produtos de segunda linha, que representam a maior parte da compra de uma grande parcela da população.

    O estudo mostra que marca importa mesmo para quem tem orçamento apertado. A preferência se explica pela entrega: a consumidora não pode errar, e testar uma marca nova que não cumpre o esperado custa caro. Por isso ela tende a ser mais fiel ao que já funcionou.

    O mesmo artigo cita Davies (2004) sobre marcas próprias do varejista. As cinco razões apontadas para o sucesso delas são: aumento da lucratividade, construção e manutenção da fidelidade, reforço do posicionamento, aumento das escolhas dos consumidores e adequação dos produtos ao perfil do público.

    Há um alerta de serviço: se a cliente não encontra o que busca, a decepção pode contaminar a percepção da loja como um todo.

    O que isso muda na sua loja: mantenha disponíveis os itens que sua cliente procura pelo nome e use a profundidade para oferecer alternativas de preço, sem deixar faltar o que ela já confia.

    Por que o mix planejado se perde na gôndola?

    Definir o mix é metade do trabalho. Mantê-lo é a outra. Uma gerente de categoria citada na dissertação da FGV aponta dois motivos para a dificuldade:

    1. Ruptura (falta do produto na prateleira): a loja preenche o espaço vazio com outro item e depois não volta ao espaço, ao local e à quantidade definidos. 2. Falta de entendimento de quem repõe sobre a importância de manter espaço, local, produto e quantidade.

    Aplique na sua loja esta semana

    • Liste suas categorias e marque, para cada uma, se ela é de destino, rotina, ocasional ou conveniência.
    • Compare o espaço e o estoque de cada categoria com o papel que você deu a ela.
    • Desenhe a árvore de decisão de uma categoria de destino: necessidade, segmento, marca, SKU.
    • Verifique se os itens mais procurados pelo nome estão sem ruptura.
    • Explique à equipe de reposição por que cada produto tem lugar e quantidade definidos.

    Perguntas frequentes

    O que é SKU?

    SKU (Stock Keeping Unit) é a maior especificação que um item pode ter, com detalhes como tamanho, cor, tipo de embalagem e outros. Ele permite diferenciar o item dos demais e hoje está contido nos códigos de barras, segundo nota de dissertação da FGV com base na ECR Brasil.

    O que é capitão da categoria?

    É a empresa, geralmente a de maior participação de mercado na categoria, que pesquisa os consumidores e propõe o mix, discutido e implantado pelo varejista. A ECR Brasil alerta que algumas empresas podem abusar dessa posição para empurrar os próprios produtos, sem respeitar a preferência do consumidor. A decisão final é da loja.

    Vale a pena ter só marcas líderes no mix?

    A literatura de varejo indica equilíbrio. Artigo publicado pela ANPAD recomenda combinar marcas líderes, ligadas ao desejo e a momentos específicos, com produtos de segunda linha, que respondem pela maior parte da compra de grande parcela da população. O peso de cada grupo depende do seu público.

    Toda categoria precisa ter a mesma profundidade?

    Não. Segundo Parente (2000), citado em dissertação da USP, amplitude e profundidade devem variar conforme o papel da categoria. As de destino, que mais atraem clientes, devem ter mais opções. As ocasionais e de conveniência podem ter menos.

    Fontes

    1. Estratégias de Marketing para o Varejo na Baixa Renda (ANPAD) · academica
    2. ECR e o consumidor: um estudo sobre o comportamento do consumidor (FGV) · academica
    3. Exploração de Dados Atomizados para Previsão de Vendas no Varejo Utilizando Redes Neurais (USP) · academica
    4. Visual merchandising na arquitetura comercial de varejo: proposta para uma loja de cosméticos (UFAL, 2022) · academica

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