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Curva ABC de estoque é um método de classificação dos produtos em três classes, com base no princípio de Pareto. A classe A reúne poucos itens que concentram a maior parte do critério escolhido, em geral o valor movimentado. A classe B é intermediária, e a classe C reúne muitos itens de pequena participação.
De onde vem a curva ABC?
A curva ABC vem da Lei de Pareto, mais conhecida como regra 80/20. A ideia é simples. Em quase todo estoque, poucos itens respondem pela maior parte do resultado. Um artigo do Congresso Brasileiro de Custos atribui o método a Pareto. Segundo o mesmo artigo, com base em Arnold (1999), a relação costuma ser esta:
- cerca de 20% dos itens correspondem a aproximadamente 80% da utilização em valores monetários (classe A);
- cerca de 30% dos itens correspondem a aproximadamente 15% (classe B);
- cerca de 50% dos itens correspondem a aproximadamente 5% (classe C).
As faixas mudam de autor para autor. Um trabalho do IFRS cita Slack (2009) e Bertaglia (2006). Nele, a classe A responde por cerca de 70-80% do critério, a B por 15-20% e a C por 5-10%. Um trabalho da Etec sobre lojas de cosméticos cita Corrêa e Corrêa (2012), com faixas de 70% a 80% para A, 15% a 25% para B e 5% a 10% para C. O mesmo trabalho lembra que as faixas podem variar conforme o setor e os objetivos da empresa. Por isso, convém revisá-las periodicamente.
Como montar a curva ABC de estoque na loja?
Segundo Bertaglia (2006), citado pelo trabalho do IFRS, a curva tem três pilares: coletar os dados, fazer os cálculos e decidir com base no resultado. Os dados precisam ser uniformes. Sem isso, a análise sai errada.
O critério mais usado é o valor movimentado. Ele é o preço ou custo unitário de cada item multiplicado pela demanda no período. Para o cálculo, o mesmo trabalho segue Viana (2000):
1. ordene os itens do maior para o menor valor; 2. calcule o valor acumulado; 3. calcule a porcentagem acumulada sobre o total e defina a classe de cada item.
A classe orienta a rotina. O trabalho da Etec indica controle mais rigoroso para a classe A, com revisões frequentes, estoque de segurança bem dimensionado e boa posição no layout. A classe B pede atenção moderada. A classe C pode ter reposição menos frequente e estoque mais enxuto. Em cosméticos, a validade pesa. Por isso, o controle da curva também ajuda a evitar perdas por vencimento.
O mesmo trabalho descreve uma franquia de cosméticos que usa a curva ABC junto com os chamados never outs. São produtos de altíssima demanda que precisam estar sempre disponíveis. A loja mantém mais estoque dos itens A, uma quantidade intermediária dos B e estoque reduzido dos C.
Aplique na sua loja esta semana
- Exporte as vendas do último período do seu sistema, por item.
- Calcule o valor movimentado de cada item e ordene a lista.
- Marque as classes A, B e C e confira se os itens A estão bem expostos e sem ruptura.
- Liste os itens C perto do vencimento e planeje como dar giro a eles.
Quais são as confusões mais comuns com a curva ABC?
Achar que faturamento é o único critério. Viana (2000), citado pelo IFRS, lembra que a curva também pode usar movimentação de estoque ou número de pedidos atendidos. No caso estudado pelo IFRS, a empresa montou uma segunda curva por demanda (chamada Ouro, Prata e Bronze). O motivo era a grande variação de preços entre os produtos, que poderia distorcer a análise feita só por receita.
Esquecer a margem. O artigo do Congresso Brasileiro de Custos defende focar o controle nos itens que geram maior margem de contribuição, isto é, o que sobra da venda depois dos custos variáveis. Um estudo publicado na SciELO mostra o efeito em uma distribuidora. A linha de Medicamentos tinha o maior faturamento e margem média de 5,83%. A linha de Perfumaria tinha margem média de 12,29%. Na simulação dos autores, um aumento de 10% no faturamento elevaria a margem de contribuição da Perfumaria em R$ 4.488,16, contra R$ 3.673,31 em Medicamentos. Olhar a curva por faturamento e também por margem ajuda a decidir onde investir esforço de venda.
Confundir com custeio ABC. O mesmo artigo do Congresso Brasileiro de Custos trata de duas ferramentas distintas: a curva ABC de controle do estoque e o sistema ABC de custos, que custeia as atividades de gestão. Os nomes são parecidos, mas os usos são diferentes.
Perguntas frequentes
Quais são as porcentagens das classes A, B e C?
Não há faixa única. Segundo Arnold (1999), citado em artigo do Congresso Brasileiro de Custos, cerca de 20% dos itens correspondem a aproximadamente 80% do valor, 30% a cerca de 15% e 50% a cerca de 5%. Outros autores usam faixas próximas, ajustadas ao setor e ao objetivo da empresa.
A curva ABC só pode ser feita por faturamento?
Não. O valor movimentado é o critério mais usado, mas a curva também pode usar demanda, movimentação de estoque, número de pedidos ou margem de contribuição, conforme a decisão que a loja quer tomar.
Posso criar mais de três classes?
Sim. O trabalho do IFRS, com base em Ballou (2009), registra que, conforme a necessidade da empresa, é possível criar novas classes, como D e E, alterando as porcentagens de cada uma.
Com que frequência devo refazer a curva ABC?
O trabalho da Etec sobre lojas de cosméticos recomenda revisar as faixas periodicamente para acompanhar mudanças no mercado e no mix de produtos. A periodicidade depende do giro e da rotina de compras da sua loja.
Fontes
- Trabalho de conclusão sobre gestão de estoque com curva ABC — IFRS Campus Canoas · academica
- Estratégias na gestão de estoques em loja de cosméticos — Etec João Elias Margutti (Centro Paula Souza) · academica
- Aspectos ocultos do custo logístico de oportunidade em gestão de estoques — Anais do Congresso Brasileiro de Custos · academica
- Análise de rentabilidade dos segmentos de mercado de empresa distribuidora de mercadorias — SciELO · academica



