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Guia prático

Como montar o planograma da gôndola de cosméticos

7 min de leitura · Categoria, gôndola e vitrine · Atualizado em 27/10/2026

Overhead flatlay on a wooden table: a paper shelf layout sketch with colored blocks, surrounded by small unlabeled jars, tubes and bottles a
Imagem gerada por IA
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    Para quem é Donos, sócios e gerentes de perfumarias e lojas de cosméticos, independentes ou de pequenas redes, que cuidam da exposição na gôndola e querem organizá-la com método.

    Em resumo

    Planograma é o mapa da gôndola. Ele define onde cada produto fica e quantas frentes recebe. Para montar o planograma de cosméticos na gôndola, organize por categoria, dê frentes conforme o giro e use a altura dos olhos para os itens que você quer destacar. Depois, teste e meça as vendas.

    Passo a passo

    1. Levante o giro e a margem de cada item

      Antes de mexer na prateleira, liste os itens de cada categoria com quanto vendem (o giro, ou seja, a velocidade com que o produto sai da loja) e com a margem que deixam. O planograma usa esses dois dados para decidir espaço e posição. Sem eles, a gôndola passa a refletir o gosto de quem arruma, e não o comportamento de quem compra.

    2. Defina os blocos por categoria e subcategoria

      Separe a gôndola em blocos, como cabelo, maquiagem, pele, perfume e corpo. Dentro de cada bloco, escolha um critério de organização, por subcategoria ou por marca. Blocagem é agrupar visualmente itens do mesmo critério para que o cliente leia a prateleira como um conjunto.

      Não há uma resposta pronta sobre qual critério vende mais. No estudo da Universidade da Pensilvânia, trocar a organização por fabricante por uma organização por subcategoria reduziu as vendas de uma categoria em 5%. Trate a escolha como hipótese a testar (veja o passo 8).

    3. Distribua as frentes conforme o giro

      Frente é cada unidade de um produto voltada para o cliente na primeira fila da prateleira. Itens que giram mais recebem mais frentes. O espaço da gôndola é fixo, então cada frente dada a um item sai de outro.

      Exemplo hipotético: se um bloco de condicionadores tem 20 frentes e um item responde por boa parte das vendas do bloco, ele ganha mais frentes. Itens de baixo giro ficam com uma frente, ou você reavalia se devem continuar no mix.

    4. Escolha o que vai na altura dos olhos

      A faixa da altura dos olhos é a mais visível da gôndola. Use-a para os itens que você quer destacar, sobretudo os de margem maior. No estudo da Universidade da Pensilvânia, levar as escovas de dente para a altura dos olhos aumentou as vendas delas em 8%, sem mudar as vendas de creme dental. Como as escovas tinham o dobro da margem bruta, o lucro da categoria subiu 6%. O estudo foi feito em outras categorias, então teste a ideia na sua loja antes de ampliá-la.

    5. Coloque complementares lado a lado

      Produtos que se usam juntos podem ficar próximos. No mesmo estudo, posicionar o amaciante entre o sabão líquido e o sabão em pó gerou alta de 5% em vendas e lucro na categoria, e as três subcategorias se beneficiaram. Na sua loja, pense em combinações da rotina de uso do cliente dentro de cada bloco.

    6. Desenhe o mapa e documente

      Registre o planograma num desenho simples ou numa foto anotada: prateleira, posição de cada item e número de frentes. Esse é o documento que a equipe segue. Sem registro, a gôndola volta ao estado anterior em poucas reposições.

    7. Reponha seguindo o planograma

      Oriente quem repõe a devolver cada produto ao lugar e ao número de frentes do mapa. Quando um item faltar, anote. Assim você corrige o estoque, e o espaço vazio não acaba ocupado por outro produto de forma improvisada.

    8. Meça antes e depois, e revise

      Compare as vendas e o lucro da categoria antes e depois da mudança, por um período longo o suficiente para o cliente se acostumar. No estudo da Universidade da Pensilvânia, os efeitos foram acompanhados por mais de 6 meses. Uma das mudanças sustentou o resultado por cerca de 10 meses, até que a entrada de lançamentos exigiu reorganizar a categoria inteira. Planeje revisões periódicas, sobretudo quando o mix mudar.

    O que é um planograma de cosméticos na gôndola?

    O planograma é o mapa que define onde cada produto fica na gôndola e quanto espaço ele recebe. Na perfumaria, ele organiza blocos como cabelo, maquiagem, pele, perfume e corpo.

    Uma tese da USP sobre trade marketing no setor farmacêutico registra que o planograma pode ser desenvolvido para categorias como OTC, suplementos e dermocosméticos. Para medicamentos de prescrição, a exposição é feita em ordem alfabética, e o planograma não se aplica. Uma das empresas estudadas tinha planograma próprio para a categoria de dermocosméticos. A mesma tese aponta que, em varejos menos profissionalizados, o trade marketing precisa ensinar ao varejista o que é gerenciamento de categorias e como fazê-lo.

    A organização da prateleira muda mesmo as vendas?

    Sim, e nem sempre na direção esperada. Um estudo publicado no repositório da Universidade da Pensilvânia testou mudanças de prateleira numa rede varejista. Alguns resultados:

    • Escovas de dente na altura dos olhos: vendas das escovas subiram 8%, e o lucro da categoria cresceu 6%.
    • Amaciante entre sabão líquido e sabão em pó: alta de 5% em vendas e lucro.
    • Sopas em ordem alfabética: queda de 6% nas vendas.
    • Cereais organizados por subcategoria em vez de por fabricante: queda de 5%.

    Os autores concluem que a organização da prateleira pode ter impacto substancial no desempenho da categoria. Eles também admitem que não têm explicação completa para todos os efeitos. Uma hipótese levantada é que facilitar demais a busca reduziu a navegação e a compra por impulso.

    O que isso muda na sua loja: os testes foram feitos em categorias de supermercado, não de cosméticos. Use os resultados como hipóteses e meça na sua gôndola.

    O cliente percebe quando a gôndola muda?

    Pouco. No mesmo estudo, os pesquisadores entrevistaram 200 compradores frequentes no corredor. Os consumidores mostraram quase nenhum conhecimento de como cada categoria estava organizada. Eles acharam confusos tanto o planograma antigo quanto o novo. Só cerca de 10% dos clientes das lojas testadas perceberam que a categoria tinha sido reorganizada seis meses antes.

    O que isso muda na sua loja: não decida a organização pelo que você imagina que o cliente prefere. Decida pelo que os números de venda mostram depois da mudança.

    O planograma precisa ser igual em todas as lojas da rede?

    Não necessariamente. No estudo da Universidade da Pensilvânia, a rede criou versões do planograma conforme o perfil de venda das lojas, urbanas e suburbanas, mantendo o mesmo tamanho de gôndola. A diferença de frentes entre as versões variou de 17% a 46%, conforme a categoria. Em detergente, a diferença de 22% refletia a participação de mercado de cada tipo em cada perfil de loja, mas não teve impacto significativo no volume de vendas.

    Mais tarde, o varejista passou a agrupar as lojas com base no histórico de cada categoria. Num teste em pratos congelados, isso trouxe uma melhora adicional de 2%. Os autores descrevem os ganhos de personalizar como modestos, mas não triviais.

    O que isso muda na sua loja: se você tem mais de uma unidade, compare o giro por loja antes de padronizar tudo.

    Erros comuns

    • Supor que a organização mais lógica para quem arruma é a que mais vende. No estudo citado, organizar sopas em ordem alfabética reduziu as vendas em 6%.
    • Dar o mesmo número de frentes a todos os itens, sem olhar o giro.
    • Mudar a gôndola inteira de uma vez e não medir o resultado depois.
    • Copiar o planograma de outra loja sem adaptar ao que o seu cliente compra.
    • Montar o mapa e não orientar a equipe de reposição a segui-lo.

    Perguntas frequentes

    O que é frente na gôndola?

    Frente é cada unidade de um produto voltada para o cliente na primeira fila da prateleira. O número de frentes indica quanto espaço visível o item ocupa. No planograma, ele costuma acompanhar o giro do produto.

    É melhor organizar cosméticos por marca ou por categoria?

    Não há regra única. Num estudo da Universidade da Pensilvânia, trocar a organização por fabricante pela organização por subcategoria reduziu as vendas de uma categoria em 5%. O teste foi feito em supermercado. Teste os dois critérios na sua loja e compare os resultados.

    Colocar produtos na altura dos olhos aumenta as vendas?

    Pode aumentar. No estudo citado, escovas de dente levadas à altura dos olhos venderam 8% mais, e o lucro da categoria subiu 6%. O resultado é possível e depende da execução e do produto escolhido.

    De quanto em quanto tempo devo revisar o planograma?

    Revise sempre que o mix mudar. No estudo citado, os planogramas já eram trocados anualmente para incluir lançamentos, e um dos resultados se manteve por cerca de 10 meses, até um novo reset da categoria.

    Fontes

    1. Shelf Management and Space Elasticity (Universidade da Pensilvânia) · academica
    2. Tese de doutorado em Administração, FEA-USP (trade marketing e gerenciamento de categorias) · academica

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